As três Luas

Existem três Luas, sabes isso tão bem como eu. Em tempos imemoriais, quando era eu falcão e tu sereia com asas, fizeste uma malandrice daquelas! Lembras-te? Vá lá, não digas que não… Recordo-me tão bem, eu estava empoleirado num cedro quando te vi subir e depois bailar descalça em cima de uma árvor...

Ler mais »

Mas ela existe

Mas ela existe. Vizinhos, colegas, conhecidos e desconhecidos, amigos e amigos dos amigos, toda a gente quer saber onde pára a onça que com duas simples mordidas se apossou dos meus braços. Eu acho que também tu, confessa lá, queres saber. Como não posso pintá-la – faltam-me as mãos e os pincéis -,...

Ler mais »

Uma história real

Ao colocar a chave na fechadura pareceu-me ouvir um barulho estranho dentro de casa. Algum vizinho, pensei, muito embora ainda mal se vislumbrassem os alvores da madrugada. Inseri a chave, fiz girar a lingueta e entrei, mas ao fechar a porta senti uma corrente de ar estranha. Alguma janela aberta, c...

Ler mais »

Aqui há onça

Quando vejo a onça fico suado e com uma sede danada. Como se tivesse acabado de atravessar um deserto. Como se não bebesse água há um ano. Que gelo é este que me esfria o sangue? De onde virá esta infinita e inexplicável aflição?  Ontem olhei sorrateiramente e vi-lhe as garras pintadas de roxo, tiv...

Ler mais »

Doía-me a mão

Não escrevia uma linha há largas semanas. Doía-me a mão. Ontem, ao agarrar na caneta dei conta que em pouco espaço se esconde uma onça. Das que predam bezerros e até cavalos. Mordidas de onça deixam marca, deixam pois. Do deserto das minhas memórias limparia algumas, reporia outras, deixaria cair al...

Ler mais »

Banha da cobra

O que é que a banha da cobra tem? Deitei-me com a barriga cheia de jaquinzinhos fritos e cervejas geladinhas e deu no que deu, uma noite agitada, sonhos atrás de sonhos e um pesadelo estranhíssimo. Devo ter ressonado como um rinoceronte!  Vou contar-te: sonhei que o meu trisavô, que foi coveiro no...

Ler mais »

Elogio da Madrasta

Mário Vargas Llosa não se contenta com menos, agudiza-nos os sentidos ao ponto de ficarmos suspensos até à última linha. E a seguir suspiramos fundo, já com pena de termos de nos separar da Lucrécia, de Rigoberto e de um demoniozinho chamado Fonchito. O Elogio da Madrasta – que se lê num abrir e fe...

Ler mais »

Quem é então o culpado?

Quem é então culpado? Aqui, os doentes seleccionados no quadro de um dispositivo legal eram recebidos num edifício por enfermeiras profissionais, que os registavam e despiam; havia médicos que os examinavam e os conduziam a uma câmara estanque; um operário administrava o gás; outros procediam ao tr...

Ler mais »

A Virgem dos Sicários

«Por isso aqui, neste país de leis e constituições, democrático, ninguém é culpado até ser condenado, e não o condenam se não for julgado, e não o julgam se não o apanharem, e se o apanham soltam-no... A lei da Colômbia é a impunidade e o nosso primeiro delinquente impune é o presidente, que a estas...

Ler mais »

Dia da Mulher

Pode parecer puro lisonjeio, pode parecer que sou lamecha, pode parecer até outra coisa qualquer, pouco me importa, o que quero mesmo –  no dia em que se assinala pela centésima vez o Dia da Mulher –, é manifestar o apreço e gratidão às mulheres, a todas sem excepção, quer se trate da mulher que me ...

Ler mais »