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Blog - Setembro 2010

  • O Dia Dos Prodígios

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    Continua a haver muito para dizer à volta desse fabuloso acontecimento literário que foi o lançamento de O Dia dos Prodígios. Foi o romance de estreia de Lídia Jorge, há exactamente trinta anos. Uma história do Portugal profundo antes do 25 de Abril, cheia de gente que nos surpreende, como o Pássaro Volante ou a Esperancinha, como a Branca ou a Carminho, mas também cheia de cultos e preconceitos, de amores e desamores e até mesmo de uma serpente que voa!

    Fui ao Trindade, este último sábado, e confesso que saí maravilhado. Cucha Carvalheiro fez a adaptação para o teatro de O Dia dos Prodígios e fê-la exemplarmente. Cenário bem montado e um texto excelente e bem-humorado... Mas onde a peça brilha mesmo é no trabalho dos actores. Simplesmente magnífico.  

  • O Preço da Fama

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    Uma maioria das pessoas associa a fama ao supremo estatuto da felicidade. Pura ilusão.

    O trabalho foi, durante séculos, o pai da fama mas já não é. De pouco valerá dizer que ganhar fama é perder a privacidade e a liberdade de se fazer o que se quer sem dar cavaco a quem quer que seja. Ser famoso é também, tantas e tantas vezes, ter de suportar vis mentiras e boatos. De resto são conhecidas muitas histórias de figuras públicas que raramente passam as férias em Portugal. Por uma razão simples: a de poderem conquistar durante umas semanas a liberdade das pessoas comuns.

    Mas há quem não se convença, quem não desista dos holofotes e de desfilar num tapete vermelho. Sem olhar a meios, o mais importante é conquistar uns minutinhos de glória. E porque não sou santo, longe disso, vejo e vejo-me a rir. Mas nem sempre, há loucuras que me fazem pensar.

    Vivemos um tempo em que tudo parece valer, a palavra limite deixou de existir.

  • O oito e o oitenta

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    Temos uma maneira de ser muito portuguesa e um jeito que mais ninguém tem para o desenrascanço. Gostamos ou não gostamos, não há termos intermédios. Somos do tipo pão pão, queijo queijo. 

    Somos desconfiados e provavelmente com razões para tal. Dentro das nossas cabeças corre o orgulho do nosso passado, da mesma forma que corre a descrença e a angústia quanto ao futuro.

    Em quase tudo o que leio ou escuto vejo escarrapachado «o oito ou o oitenta». Entre este e aquele nada mais existe. Não é genuinamente português quem conseguir idealizar outras tonalidades entre o preto e o branco. A forma como a comunicação social, os analistas e o cidadão comum vêm analisando o processo Casa Pia tem sido um bom exemplo. A telenovela que se gerou à volta do ex-seleccionador nacional Carlos Queirós é outro bom exemplo: há quem o idolatre e quem o considere um mau produto de marketing. Gostamos do bota acima e do bota abaixo, não há espaço para meios-termos. Toda a gente tem uma opinião sólida sobre os assuntos que, depois de emitida, se torna uma verdade indiscutível. São tantos os exemplos que precisaria de muitas folhas para os descrever.

    Com os políticos passa-se geralmente o mesmo: é assim com o TGV, é assim com o projecto do Aeroporto, é assim com a proposta de alteração da Constituição, é assim com o novo acordo ortográfico, vai ser assim com o próximo Orçamento.

    Será congénito?

  • Tragédia Grega

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    Agora que a rentrée está feita e que a malta veio toda com lindos bronzeados, preparemo-nos para a festa propriamente dita: não se sabe quem é o árbitro, mas sabe-se que há várias equipas em aquecimento; não se sabe que jogadores vão subir ao relvado, mas sabe-se que quase todos estão mortinhos por mostrar as suas habilidades; não se sabe se a entrada é livre, mas sabe-se que vai haver bordoada e que ninguém se vai respeitar; não se sabe qual é o resultado, mas sabe-se que haverá golos em fora-de-jogo.

    Ver-se-ão luzes, fitas e balões, ouvir-se-á música, muita música.

    Tragédia grega com os malucos do riso a aplaudir!


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