Loading...

Blog - Dezembro 2009

  • 2010, na terra dos contos de fadas

    tags:
    0 comentários

    Se por um dia eu vivesse na terra dos contos de fadas, se por uma vez eu pudesse erguer os braços e desafiar o mundo, nesse mesmo dia impunha que se tirassem dos olhos dos meninos a guerra, a fome e o medo, para que pudessem voltar a ser crianças.

     

    Nesse mesmo dia, fazendo jus à maldade e à criança que existe em mim, levantava o machado para combater os homens e empresas que provocam desastres ambientais, mandava setas aos senhores da guerra e do poder, e a todos os pais e parentes dos ódios, das guerras, das misérias e da lama.

     

    Mas como não vivemos na terra dos contos de fadas, como não sou mágico nem bruxo, limito-me a desejar um bom 2010 para todos.

     

  • Berlusconi

    tags:
    0 comentários

    Chama-se Massimo Tartaglia o homem que agrediu Sílvio Berlusconi com uma réplica em miniatura da catedral, e que lhe partiu dois dentes e a cana do nariz. Foi uma berlusconada terrível! O “espectáculo”, dentro do espectáculo que é o primeiro-ministro italiano, fez com que o vídeo fosse visto por milhões de pessoas e com que o agressor angariasse 85 mil seguidores no Face Book (e mais não teve porque a rede social já eliminou a página). A venda de réplicas em miniatura semelhante à que foi usada na agressão já bateu recordes de vendas nos últimos dias!

     

    Quem segue com alguma atenção a política italiana – que se resume em grande medida em fazer aprovar decretos para esvaziar o papel do Parlamento impedindo que Berlusconi seja condenado por actos de corrupção e escândalos de todas as matizes – percebe melhor o porquê dos acontecimentos.

     

    Se a moda das berlusconadas pega muita cana rachada vai surgir por esse mundo fora!

  • O futuro do planeta

    tags:
    1 comentários

    Cerca de 140 Chefes de Estado e de governo estão reunidos em Copenhaga, a discutir a questão das alterações climáticas. A poucas horas das grandes decisões, se é que as vamos ter, a cimeira tem sido marcada pelos nacionalismos extremados da maior parte das nações: a China, país com as maiores emissões do mundo, aguarda pelas metas dos americanos (não nos esqueçamos que nem estes nem aqueles assinaram o Protocolo de Quioto); a Índia diz que as suas emissões são inferiores às dos países industrializados; os países africanos exigem uma nova ordem internacional; a Austrália exige mais flexibilidade negocial! Como se o mundo estivesse reunido a discutir apenas um negócio!

     

    Tenho a sensação clara que a maior parte das pessoas ainda não percebeu que estamos à beira do colapso. Na Cimeira de Copenhaga discute-se a sobrevivência do planeta: o aquecimento global, a contaminação da água, a destruição da biodiversidade. Nenhum país pode ficar de fora. Nenhum de nós - na medida dos nossos conhecimentos - pode pôr-se ao largo desta questão. Chegou o momento de sermos mais ecológicos. Chegou o momento de exigirmos condenações exemplares a quem comete crimes ambientais. Chegou o momento de actuarmos e não ficarmos à espera que os Movimentos Ecologistas se ocupem de uma coisa que a todos diz respeito. Afinal, é da VIDA que estamos a falar.

  • Tetro

    tags:
    0 comentários

    Não sou crítico de cinema, mas não posso deixar de escrever meia dúzia de palavras sobre Tetro, o novo filme de Francis Copolla.

     

    Uma história contada a preto e branco com grande pendor autobiográfico da vida de Copolla. Bennie, jovem marinheiro, reencontra Tetro, o irmão mais velho, que decidira nunca mais ver a família. Mas Tetro já não é o irmão que Bennie conheceu, é agora um homem que carrega um passado que o atormenta.

     

    Uma história interessantíssima com Freud e o Complexo de Édipo sempre presentes, uma história onde Copolla faz a realização e parece fazer a sua própria catarse.

     

    Um belo argumento, uma bela fotografia, excelentes representações de Vincent Gallo (Tetro), de Maribel Verdú (a companheira de Tetro) e de Alden Ehrenreich (Bennie).

  • Veneno terrível

    tags:
    0 comentários

    No país onde vivo ninguém gosta de pagar impostos. Nem governados nem governantes. Somos vítimas, a bem dizer, de um vírus de origem desconhecida, vírus que nos faz odiar tudo o que possa ter a ver com contribuições. É um venenozinho terrível, aparentemente sem cura, que atinge toda a população: empresários, trabalhadores por conta de outrem, políticos, reformados. 

    No país onde vivo somos exímios a exigir. Queremos melhor saúde, mais segurança, melhor educação, melhores estradas, água e energia de borla, se possível. Queremos tudo isto e muito mais! Pois se por essa Europa fora se vive melhor do que nós, porque não exigi-lo?

     

    Quem viu o programa televisivo sobre a Dinamarca – ontem, na SIC, no final da tarde – deu conta que numa boa parte dessa Europa, para a qual olhamos mas nem sempre vemos, as pessoas olham para os impostos de forma diferente. Ouvi muitas pessoas dizer que gostam de pagar impostos, ouvi dizer que lhes dá gozo contribuir para o bem comum, ouvi dizer, mais coisa menos coisa, que lesarmos o Estado é lesarmo-nos a nós mesmos.

     

    Haverá vacina que nos salve?

  • Não ter tempo

    tags:
    0 comentários

    É irreversível, o fim do ano aproxima-se e eu começo a pensar no que fiz, no que deveria ter feito e não fiz, e no que quero fazer no ano que já parece querer bater à porta. Tem sido sempre assim!

     

    Em 2009, à semelhança de anos anteriores, usei muitas vezes a expressão «não vou, não tenho tempo». O «não ter tempo» quer dizer frequentemente uma série de coisas: quer dizer que estive menos vezes com a família, menos vezes com amigos, menos vezes em acontecimentos e locais onde era suposto estar... Claro que há sempre uma boa desculpa, os imperativos profissionais e pessoais servem quase sempre para esconder a nossa inércia.

     

    O mais difícil é fazer o contrário: deixar de lado as explicações fáceis e encontrar forma de estar com os outros. A vida raramente nos dá algo sem uma enorme trabalheira!

     

    Pensamentos para 2010: «Viver interessa mais que ter vivido», já o dizia mais coisa menos coisa Agostinho da Silva. Ou ainda este, do mesmo pensador: «Mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu, do que todos os acertos se eles foram meus e não seus.»


    Pensamento do mês: «Fazer do Natal um dia da família, com menos prendas e mais sentimento».


    Pensamento do dia: «É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que com a ponta da espada» - Shakespeare.

     

    Bom feriado!


Voltar