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Blog - Março 2010

  • Anda tudo louco (2)

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    São estrategas.
    São visionários.
    São gestores.
    São enfermeiros da Pátria.
    São incansáveis.
    São magos.
    São vencedores.
    São eles que fazem o país crescer e que fazem com que o país não cresça menos.
    São grandes e seriam maiores ainda se não tivessem nascido num país tão pequeno. São administradores de grandes empresas, particularmente do Estado, são eles que gerem os negócios complicados da Nação. Foi a Providência que os mandou.

     

    É justo que ganhem milhões em prémios.

     

    Um deles disse, numa entrevista que deu há dias, acerca dos prémios que auferem, que em Portugal se fala de mais e que é isso que faz com que os portugueses sejam medíocres. Um outro, num gesto de humildade, perguntou: o que seria do mundo se não houvesse Bill Gates? 

     

    Se o momento é de crise e de aflição, o que seria de nós sem eles? Podemos ter menos pensadores, menos cientistas, menos catedráticos, menos criadores, não podemos é prescindir de homens como eles. É mais do que justo que ganhem milhões.

     

     

    P.S – Li hoje nos jornais, já depois de ter colocado este Post, que o Governo vai suspender durante dois ou três anos este tipo de prémios e que os Gestores ameaçam levar o Estado a tribunal. E agora?, Deus nos livre e guarde!

     

    (continua)

  • Anda tudo louco (1)

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    Anda mesmo tudo louco. Na quinta-feira, no jogo entre o Sporting e o Atlético de Madrid, houve bordoada e pedradas de manhã à noite. No dia seguinte, vi dois automobilistas saírem do carro chamarem filho da puta um ao outro e chegarem a vias de facto, à boa maneira dos filmes americanos. Por onde passo, oiço reclamações, lamentos, injúrias, descrença. Ligo o rádio ou o televisor e oiço e vejo o rol de zangas que anda por aí: políticos contra políticos, trabalhadores contra empresários, empresários contra políticos, sindicalistas contra governo, ministros contra ministros, trabalhadores contra governo, cidadãos contra polícias, associações contra associações, peões contra automobilistas, o país contra o país.

     

    (Um à parte: é meia-noite, o meu vizinho de cima está novamente a fazer uma algazarra)

     

    Continuando: ninguém quer perder a face, e isso leva as pessoas a abrirem as goelas, a levantarem o punho, a atirarem a pedra. Vale tudo menos perder a razão! E é por isso que se vê muita cólera à solta, muitos narizes levantados!

     

    E por aqui fico, vou lá cima perguntar ao sacana do meu vizinho se é surdo ou louco... ai vou, vou!

     

    (continua no próximo Post)

  • Sonhos loucos

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    Disse-lhe que Freud e Jung explicavam os símbolos e figuras que surgem nos nossos sonhos e o mais íntimo da nossa consciência, e ela passou a contar-me tudo o que sonhava no dia anterior.

     

    Disse-me que sonhara com um homem que dizia que era o Leonardo Da Vinci e que este lhe garantia que ela era a Mona Lisa, e eu fiquei sem saber o que dizer.

     

    Disse-me que sonhara que namorava com uma ursa que se chamava Consorte e que esta a seduzia de meia em meia hora e onde quer que estivessem, e eu fiquei sem saber o que dizer.

     

    Disse-me que sonhara que estava grávida mas que a barriga lhe crescia pelas costas, e eu fiquei sem saber o que dizer.

     

    Disse-me que sonhara que era uma lula e que estava no aquário da sua casa, e que durante uma boa parte da noite assistira à orgia que os pais, avós, amigos e conhecidos faziam dentro de casa; disse-me que se pôs a reclamar encostada ao vidro, mas que de cada vez que falava, ou melhor, de cada vez que dizia glu-glu se ia afogando, e eu garanti-lhe que ia ler novamente Freud e Jung.

     

  • Faltou perguntar

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    Esta semana ouvi dizer em dois debates televisivos que Portugal vive acima das suas possibilidades. Como economista que sou, não tenho dificuldade em compreender e admitir a situação.
    Mas a questão central é: que estratos sociais vivem acima das suas possibilidades? Ou, se quisermos ver por outro prisma, quem tem condições para pagar a crise?

     

    Acabo de ler num matutino que os pilotos da Tap ameaçam com nova greve de quatro dias.
    Dá vontade de perguntar: Que mais querem os pobrezitos?

     

    Li também algures que a Alemanha é apologista de que a Grécia venda umas ilhas para reduzir o défice.
    Reli duas vezes para ter a certeza de que não me tinha enganado. E se a moda chega a Portugal?

     

    Li no Expresso que há uma Editora Portuguesa interessada em publicar a história dos homicídios do monstro português em Fortaleza.
    É caso para dizer: Luís Militão, o crime compensa!

  • Sem sabor

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    Pedi uma sopa, uma salada mista e um sumo. A primeira estava ligeiramente salgada, a segunda não sabia a quase nada: o tomate estava avinagrado e as rodelas de maça e de cenoura sabiam a tudo menos a maça e a cenoura. O sumo, esse, possuía um sabor indecifrável (tinha banana e abacaxi, mas este último devia ser de lata).

     

    Comi, saí e entrei no carro, uma estação falava na autorização da União Europeia para a produção de batata e milho transgénicos e na reacção de espanto e de choque por parte dos ecologistas. A história diz-me que a razão tem andado sempre muito mais perto destes do que daquela. Por um sem número de razões, basta que nos lembremos da contaminação genética, do uso excessivo de herbicidas, ou das ameaças à saúde humana.

     

    Cheguei a casa, estiquei-me ao comprido e liguei o televisor, coisa que raramente faço, e fiquei a ouvir o Professor Medina Carreira falar dos Partidos Políticos que têm governado o país desde 1974. Não vou descrever o que ouvi, quem quer que me esteja a ler imagina o que foi dito.  

     

    Que raça de tempo, pensei, enquanto desligava o televisor e me punha a ler 1919, de John dos Passos, um dos grandes escritores norte-americanos do século passado. Quando me deitei já eu estava mais bem-disposto.

  • O mundo

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    Tive sempre mais facilidade em fazer-me entender junto de adultos do que de crianças, o que não é propriamente um elogio.

     

    Lembro-me de estar a ler uma história a um garoto de cinco anos e de ele me pedir para explicar o que era o mundo. Confesso que tive de reflectir uns quantos segundos antes de responder. Fazia sentido falar-lhe do Universo? Fazia sentido falar-lhe do mundo verdadeiro, ainda que de uma forma simples, ou deveria antes pintá-lo de fantasia e brincadeira? Fazia sentido dizer-lhe que o mundo era o conjunto de tudo quanto existe – continentes e oceanos, pessoas e animais, e chegar aos bons e aos maus, como é do agrado das crianças?

     

    «O mundo é uma escola grande onde se pode aprender a ler, a escrever, a brincar, a inventar, a crescer...», disse-lhe. «E todas as pessoas aprendem a inventar e a crescer?», perguntou-me sorrindo. E eu fiquei sem saber o que dizer.


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