Loading...

Blog - Julho 2010

  • Férias

    tags:
    0 comentários

    Cruzo-me com vizinhos, com conhecidos, com gente que vejo na rua ou que vejo no Holmes, e as perguntas que me fazem são sempre as mesmas: Já foste de férias? Não?!, E quando é que vais?

    Vejo-lhes no rosto o cansaço, a ansiedade, a vontade de atirar com os problemas para trás das costas e desopilar! Férias, férias, só se fala de férias... Há quem apanhe um avião e procure outros ares, quem viaje cá dentro, quem vá acampar, quem ponha a mochila às costas e peça boleia, quem vá de mota, quem esteja à espera do Andanças ou simplesmente quem fique em casa a preguiçar...

    Por esta altura, recordo-me sempre das esplêndidas férias que já passei em várias partes do mundo, e não deixo de sorrir com as situações surpreendentes e bizarras que já me aconteceram: como a de estar num restaurante na cidade do México, com música ao vivo, e ser puxado por uma bailarina para dançar sapateado; como a de estar em São Paulo e apanhar com uma greve que me fez regressar ao hotel, dar com o Presidente Sarney no elevador, e assistir meia-hora depois a uma manifestação de milhares de pessoas na rua, com o rosto tapado para não serem reconhecidas; como a de ir para Praga e ver o Rio Moldava trepar pela cidade acima – de tal forma, que as autoridades aconselharam os turistas a apanhar o avião e a regressar aos seus países de origem; como a de andar de bicicleta em Amesterdão durante dias e dias, no meio de dezenas de milhar de outras, por entre canais, museus e belíssimos edifícios; como a de ir para Varadero em Fevereiro e apanhar o pior tempo dos últimos trinta anos, sem que tal facto me estragasse as férias; como a de chegar a Marraquexe à noite e ir directo para a Praça Jamal El Fna – praça apinhada de gente, de animais, de serpentes, de sons inenarráveis, debaixo de um céu alaranjado –, e ficar verdadeiramente extasiado, até conseguir sentar-me e comer uma tagine berbere!

    É tempo de esquecer a crise e carregar as baterias... Quem puder, é claro!

    Boas férias!

  • Tragédia na praia.

    tags:
    0 comentários

    Um casalinho e um cão. Ele, estudante de medicina, ela, a cursar jornalismo. Ninguém os viu o tempo todo. Um desportista que todos os dias corre uma hora na praia observou-os a jogarem ao disco. «Atiravam-no um ao outro mas nem sempre o agarravam. O cão, um lobo de Alsácia ainda pequeno, apanhava-o e fugia, obrigando-os a irem atrás dele. Foi tudo quanto vi», disse, quando a polícia o interrogou. Uma senhora reformada com rugas muito vincadas afirmou que os vira deitados na toalha «tão agarradinhos que fiquei na dúvida se não estariam a...», e pôs as mãos à boca, como se se estivesse a impedir de dizer o que lhe ia na cabeça. «Foi ela que mergulhou primeiro, a corrente começou a puxá-la... e ela começou a gritar, a gritar, a gritar... Ele atirou-se à água mas foi logo arrastado... Não havia ninguém para ajudar, era eu a gritar de um lado e o cão a ladrar do outro», disse, para logo a seguir mostrar ao funcionário da Protecção Civil e à polícia o local onde se encontravam as roupas e os sacos dos jovens.

    O mar ainda rugia quando apareceu uma lancha com uma equipa de mergulhadores. O cão já não ladrava, gania. Por volta das vinte horas, já o crepúsculo se começara a instalar, apareceu o corpo da rapariga. Uma multidão rodeou a infeliz. A reformada, especada no local, repetia pela enésima vez tudo o que vira.

    A equipa de mergulhadores voltou ao local no dia seguinte mas sem qualquer resultado. Três dias depois, a uma distância considerável da praia onde tudo aconteceu, os pescadores deram com o corpo do estudante a boiar.


Voltar