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Blog - Fevereiro 2010

  • Fernando Nobre

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    Passei uns dias fora do país sem acesso à informação. Soube, assim que cheguei, que o fundador e líder da Assistência Médica Internacional (AMI), o médico Fernando Nobre, se vai candidatar à Presidência da República. Trata-se de uma boa novidade. Primeiro, porque é preciso repensar Portugal. Repensar estratégias, repensar objectivos, repensar caminhos. Segundo, porque é altura da sociedade civil demonstrar que a política deve estar acima dos políticos não se esgotando neles. Terceiro, porque se trata de um humanista que consagrou a vida a ajudar quem precisa. Um humanista sem uma máquina partidária e financeira atrás de si.

     

    Bem-vindo, Fernando Nobre!

  • Carnaval

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    É tempo de festa, é tempo de Carnaval: máscaras, folias, travessuras, bailes de gala, cortejos de rua. Máscaras de políticos ou de animais, divertidas ou sinistras, sagradas ou profanas. Calha sempre numa terça-feira. Há quem leve o ano inteiro a preparar-se. Como o Viegas.

     

    Disse-me há três meses que se ia mascarar de galo. Porquê?, perguntei. Para conquistar um poleiro, respondeu.
    Disse-me depois que se ia mascarar de frade. Porquê?, indaguei. Para dar que falar a um convento, disse, abrindo muito os braços.
    Disse-me mais recentemente que se ia mascarar de cigarra. Porquê?, voltei a perguntar. Para aprender a ser político, respondeu sorrindo.

     

    É Carnaval, ninguém leva a mal!

  • A selva

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    O dia nasceu com a bicharada nervosa, a trotear, a saltar, a voar para o local onde a assembleia se ia reunir. Viam-se dezenas de belas Raposas, Faisões em grandes correrias, Babuínos de várias espécies, Ursos enormes, ouviam-se os cantos estridentes das Cigarras e Gafanhotos, o cacarejo das Galinhas, os uivos dos Lobos. As bancadas encheram-se: Lebres, Escaravelhos, Cabras, Camelos, Centopeias, Cobaias, Lesmas, Escorpiões, ninguém quis perder a assembleia.


    Os animais concentrados encavalitavam-se, esticavam o pescoço para ver melhor. Dos ramos das árvores, carregadas de pássaros, vinha um chilreio magnífico. O Faisão quis apresentar um relatório sobre a situação, mas não conseguiu mais do que levantar as asas.


    – A selva está em crise, não temos onde comer, não temos onde comer! Quem são os culpados por esta situação? – perguntou o Camelo.
    – O Leão e a família, como é óbvio – resmungou a Lebre.
    – A manada de Elefantes, a manada de Elefantes – baliu a Cabra.
    – A educação está um caos, os meus pintainhos mal sabem ler. Quem são os culpados por esta situação? – cacarejou a Galinha.
    – Os Gafanhotos e as Cigarras que nada fazem e tudo destroem – disse o Faisão, muito convicto das suas razões.
    – Cala-te pavão, que te arranco as penas – disse o Abutre, levantando as asas.
     – Ai o meu reumatismo, ai o meu reumatismo... A quem devo exigir explicações? – perguntou a Raposa, levantando as orelhas.


    O burburinho foi aumentando à medida que a chuva de acusações de todos os lados desabou sobre a assembleia. Ouviram-se injúrias, nomes feios, desonras do tamanho das nuvens. A Centopeia, que de uma forma desesperada procurava pelos óculos, ia suplicando, não se ofendam tanto, não se ofendam tanto, ao mesmo tempo que se lamentava dizendo, ai que me sobe a tensão, ai que me sobe a tensão.


    E de repente, um ciclone devastador irrompeu na assembleia. O Camelo, que quando jovem praticara boxe, perdeu as estribeiras e saiu disparado em direcção ao Babuíno, mas este, muito hábil, fazendo jus às suas qualidades de bailarino, desatou a fugir, ao mesmo tempo que um Lobo arranhava com a pata esquerda a cabeça de uma Doninha que, levantando a cauda, logo se pôs a libertar gases tóxicos; o Urso, que até à altura parecia estar num estado de latência permanente, mordeu uma das patas de uma Girafa que, coitada, ficou pálida como uma osga. O Faisão, o mais colorido dos participantes, desapareceu e nunca mais foi visto.


    Lá fora, indiferentes aos acontecimentos, as árvores preguiçavam ao sol.


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