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Blog - Agosto 2009

  • Parece mentira mas não é!

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    Nos meus rituais de sábado de manhã muda apenas o local para onde vou, o semanário e as revistas acompanham-me sempre. Foi por ele que soube que a derrocada na praia Maria Luísa tinha provocado cinco mortos, e que o alerta de derrocada fora dado há dois anos, de resto a zona vem assinalada no Google como área de elevado risco. A Autoridade Marítima diz, e passo a citar: «Era previsível a queda da arriba. As pessoas devem salvaguardar-se de situações de risco, o que não foi o caso.» Li duas vezes, parece mentira, mas não é!

     

    Li que o governo escuta as conversas que se passam no Palácio de Belém! O Primeiro-ministro diz que são disparates de Verão e o Presidente da República, esse, nada diz. A conflagração entre poderes é manifesta e manifesta é a tristeza de quem assiste. Parece mentira, mas não é!

     

    Li também que o governo de Angola contratou três testas-de-ferro para comprarem até 49% do Banif. O jornal diz que as compras foram feitas – 67 milhões de euros – onde é que o dinheiro foi parar é que ninguém sabe. Parece mentira, mas não é!

     

    Dois dias antes das eleições presidenciais no Afeganistão, foi aprovada uma lei que permite que os maridos condenem as mulheres à fome se se sentirem sexualmente insatisfeitos. O documento foi aprovado pelo governo do presidente Karzai que é apoiado pela comunidade internacional, em geral, e dos EUA, em particular. Parece mentira, mas não é!

     

    Fiquei a saber também que o petróleo líbio é muito mais importante que as 270 vítimas de Lockerbie. Fiquei esclarecido: o bombista foi solto tendo Muammar Kadhafi agradecido o envolvimento do primeiro-ministro Gordon Brown e dos membros da família real britânica no processo! Parece mentira, mas não é!

     

    “Sacanas Sem Lei” é o novo filme do Tarantino. Parece mentira, mas não é!

  • Saramago, olho por olho, dente por dente

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    [Sr. Palomar] Olho por olho, dente por dente: José Saramago sobre D. Duarte: «O rei assim é o sr. D.. http://bit.ly/PT0hK

    Via, http://twitter.com/senhorpalomar

     

  • Comprei

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    Este fim-de-semana fui às compras. Estive atento à televisão, olhei para os jornais, consultei a Internet, li todos os folhetos (e eram muitos) que me puseram na caixa de correio, para ter uma ideia antes de comprar.

    Às dez horas de sábado saí de casa. Bastou-me entrar no centro comercial para me esquecer de tudo, até do café e do semanário que habitualmente compro. Então não é que havia descontos de 50, 60 e de 70%, tudo ali a um pequeno passo?!

    Comecei pela moda homem, vi calças de marca de muito bom estilo. Comprei. Olhei para as camisas, para os pólos, para as t-shirts, tudo a menos de metade do preço. Comprei. Agarrei num casaco azul-marinho. Lindo! Olhei para o lado, um carcamano de olhos em bico olhava para o meu casaco. Comprei. Fui à sapataria e não é que encontrei uns sapatinhos finos de camurça que ainda não tinha, por uma autêntica pechincha? Imaginei-os logo no quarto onde tenho quarenta e sete pares de sapatos... Comprei, é claro, não ia perder a oportunidade.

    Passei depois na perfumaria do segundo piso, descobri essências que não conhecia, por um preço baixíssimo. Os meus olhos acenderam-se! Comprei.

    Fui a correr ao carro levar os sacos, perfumei-me e voltei logo a seguir. Passei na livraria, vi nas prateleiras saldos de CDs, DVDs e jogos electrónicos por preços imbatíveis. Comprei.

    Continuei a ver, agora na secção Casa. Descobri uns cortinados azuis, uma colcha cor-de-laranja, uns lençóis brancos com bordados vermelhos, uns apliques fantásticos com total garantia de qualidade. Mas o melhor estava para vir... Do lado sul do centro comercial havia saldos de saldos absolutamente irrecusáveis: comprei uma carteira de pele, um chapéu mexicano por apenas dois euros, uma vassoura multifunções, uns bigodes de pai Natal para usar no fim do ano, umas botas de cobói, uns ténis gregos, um cortas unhas eléctrico, e o direito de poder voltar para a semana com mais dez por cento de desconto.

  • Um país de conselheiros

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    Somos um país de conselheiros. Em casa, na rua, na empresa, no café, em qualquer sítio onde haja portugueses há conselhos em trânsito. Damos conselhos aos filhos, aos colegas, aos amigos, às pessoas que conhecemos e até àquelas que mal conhecemos.

      

    Faz parte da nossa portugalidade. É a nossa opinião que está em jogo: o EU que sabe, o EU que aprende, o EU que ensina, o EU que não queremos ou não sabemos largar, o EU que aparece na maior parte das coisas que dizemos:

      

    «Eu acho que não podes continuar a...»

    «Ela não presta, filho, se eu fosse a ti...»

    «Quer um conselho senhor deputado?...»

    «Eu se fosse a ti não pensava duas vezes...»

     

    Não quero com isto dizer que um bom conselho não possa pontualmente ser um benefício precioso. Pode, claro que sim. Mas aconselhar é dizer o que faríamos no lugar da pessoa a quem aconselhamos. Que garantia temos de estarmos certos? Ora, o facto de haver duas opiniões diametralmente opostas não significa que uma delas esteja errada. 

     

    O saudoso Agostinho da Silva dizia:

     

    «Desconfio dessa coisa de dar conselhos aos outros. Acho que sempre que a gente dá um conselho a outrem, é porque queríamos que quem está naquela situação nos desse aquele conselho ou qualquer coisa semelhante...».

     

    Outra vez disse:

    «Nenhum de nós poderá, num momento qualquer, garantir que a sua doutrina seja a que encerre a verdade.»

     

    Talvez valesse a pena pensarmos nestas palavras antes de darmos o próximo conselho!


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