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Blog - Setembro 2009

  • E depois das eleições?

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    No próximo domingo vamos votar. Depois de uma larga panóplia de artifícios de marketing político, da escolha dos fatos e penteados, dos corrupios por ruas e avenidas ao longo do país, depois de inúmeros debates televisivos e até de espectáculos que serviram para esmiuçar os candidatos, depois de infinitos apelos ao voto, depois de tudo isto, vem o dia D, o dia em que o povo passa mais um cheque em branco para ser governado!

     

    Tenho para mim que a maior parte dos políticos põe o Poder à frente da Política. A prova de insatisfação e de descrédito do sistema é-nos dado pelo elevado índice de abstenção de há largos anos e esta parte. Mais de um terço da população não vota, ou, se o faz, opta pelo voto em branco.

     

    O próximo governo deveria assim – entre as suas primeiras tarefas – estudar as raízes de tão profundo descontentamento. Se não o fizer (e nada me faz crer que o faça), chegará o dia em que mais de 50% dos eleitores votarão nulo ou branco. Se isso acontecer, talvez venhamos a assistir a um novo mas real Ensaio sobre a Cegueira!

  • O Cliente tem sempre razão?

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    Andei anos a ouvir e a dizer: o Cliente é rei, o Cliente tem sempre razão. Venderam-se milhões de livros sob este lema, em todos eles se anunciavam alguns dos princípios do customer service. Nas conferências de Marketing, a expressão «o Cliente é rei» foi e é usada vezes sem conta. Em muitas empresas apareceram «cartas de compromisso» onde se fizeram e fazem juramentos de devoção aos Clientes. O conceito foi levado ao extremo.

     

    Já imaginaram uma empresa sem Clientes?, perguntei eu várias vezes aos meus alunos, na Faculdade. Já pensaram que é mais fácil construir uma fábrica do que conquistar uma clientela?

     

    Mas muita coisa mudou nos últimos anos, a globalização baralhou tudo, fazendo com que as verdades de ontem se transformassem nas dúvidas de hoje. A filosofia de funcionamento foi e continua a ser o de valorizar a Clientela, fidelizando-a. Mas é importante dizer que o Cliente não tem sempre razão, é fundamental percebermos que há razões maiores do que a razão dos Clientes! Prestar serviços a qualquer preço, por exemplo, nunca será um bom negócio. Trabalhar fora de horas utilizando fins-de-semana porque o Cliente só na véspera se lembrou da urgência do projecto, ultrapassa a razoabilidade da dedicação à clientela!

     

    Tenho a sorte de ter em muitos Clientes verdadeiros parceiros de negócio. Tenho o privilégio de os acompanhar e ser acompanhado. Estou por isso à vontade para dizer que fico estupefacto com o comportamento de alguns Clientes que, por se imaginarem com a «faca e o queijo na mão», achincalham quem deles precisa. Coube-me sentir na pele este tipo de comportamentos, quando há dias cheguei a um potencial Cliente com quem combinara uma apresentação. «A doutora foi beber um café, espere um bocadinho», disseram-me. No sítio onde me encontrava, via a doutora a botar discurso deveras animada. Uma coisa ao estilo “fazer a festa e lançar os foguetes”. Chegou meia hora depois, mandando dizer que esperasse pois tinha um telefonema urgente para fazer. Um quarto de hora foi o limite a que consegui resistir, que somados aos primeiros trinta minutos que já tinha esperado, me deram alento a sair dali sem mais comentários e a escrever o presente post!

  • Dia 3 de Setembro

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    E o 3 de Setembro lá chegou. Confesso que a lembrança que era o dia D me fez levantar mais depressa. Contagem decrescente, tudo o que se deseja é que a hora chegue depressa e que as coisas corram pelo melhor.

     

    O tempo, esse ingrato, começa a torturar-nos, as horas deixam de ter sessenta minutos, os minutos deixam de ter sessenta segundos!

     

    A ida para o El Corte Inglês ficou marcada por um trânsito muito acima do expectável. Por fim lá cheguei, a sala estava já cheia de gente. Dez minutos depois iniciou-se a apresentação. Primeiro a anfitriã, depois o Editor, logo a seguir a apresentação da Lídia Jorge – a parte mais brilhante do lançamento do livro Caídos da Mesma Árvore – e, finalmente, a minha intervenção.

     

    Confesso que não gosto de ser o centro das atenções, de resto não simpatizo com o culto da personalidade. Há momentos na vida, porém, que outros sentimentos se instalam. Estavam ali as pessoas mais chegadas, estavam ali os amigos a votarem em mim, estava lá aquela que é uma das melhores romancistas portuguesas.

     

    Não sei qual vai ser a vida do livro Caídos da Mesma Árvore. Sei que valeu a pena escrevê-lo e algo me diz - a voz que só nós mesmos ouvimos - que os leitores vão gostar de o ler.


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