Travessuras de uma Menina Má (Mario Vargas Llosa)

Travessuras de uma Menina Má (Mario Vargas Llosa)

Travessuras da Menina Má é um romance de amor cheio de encontros e desencontros ao longo de quatro décadas. Uma história avassaladora cheia de ritmos e brilhos, com Mario Vargas Llosa ao seu melhor estilo!

Excertos

Excerto

Na sexta-feira, quando cheguei ao Russell Hotel, com uma pequena mala, o recepcionista, um hindu, confirmou-me que o quarto estava reservado em meu nome durante todo o dia. Já tinha sido pago. Acrescentou que «a minha secretaria» os tinha avisado de que eu viria de Paris com uma certa frequência e que, sendo assim, o hotel se encarregaria de me fazer um preço especial, como aos clientes fixos, «excepto na estação alta». O quarto tinha vista para a Russell Square e, embora não fosse pequeno, parecia-o, tão atestado estava de objectos, mesinhas, lamparinas, animaizinhos, gravuras, e uns quadros com guerreiros mongóis de olhos desorbitados, retorcidas barbas e curvas cimitarras que pareciam precipitar-se sobre a cama com muito más intenções.
A menina má chegou meia hora depois de mim, embrulhada num justo casaco de couro, um chapelinho que fazia jogo com ele e uns botins até aos joelhos. Além da mala trazia uma pasta cheia de cadernos e livros de uns cursos de arte moderna que, explicou-me depois, frequentava três vezes por semana no Christie. Antes de olhar para mim, deitou uma olhadela ao quarto e fez um pequeno sinal afirmativo, aprovando. Quando, por fim, se dignou fitar-me, já eu a tinha nos meus braços e começara a despi-la.

- Tem cuidado - instruiu-me. - Não me amarrotes a roupa.

Despi-a com todas as precauções do mundo, estudando, como objectos preciosos e únicos, as peças de vestuário que trazia, beijando com unção cada centímetro de pele que aparecia à minha vista, aspirando a aura suave, ligeiramente perfumada, que brotava do seu corpo. Agora tinha uma pequena cicatriz quase invisível perto da virilha, pois fora operada ao apêndice, e trazia a púbis mais desenriçada do que antigamente. Sentia desejo, emoção, ternura, enquanto lhe beijava o peito dos pés, as axilas flagrantes, os inusitados ossinhos da coluna nas costas e as suas nádegas espetadinhas, delicadas ao tacto como o veludo. Beijei-lhe os seios miúdos, longamente, louco de felicidade.

- Não te terás esquecido do que eu gosto, menino bom - sussurrou-me ao ouvido, por fim.

E, sem esperar a minha resposta, pôs-se completamente de costas, abrindo as pernas a fim de abrir espaço para a minha cabeça, ao mesmo tempo que tapava os olhos com o braço direito. Senti que se começava a afastar mais e melhor de mim, do Russell Hotel, de Londres, a concentrar-se totalmente, com uma intensidade que eu nunca tinha visto em nenhuma mulher, nesse seu prazer solitário, pessoal, egoísta, que os meus lábios tinham aprendido a dar-lhe. Lambendo, sorvendo, beijando, mordiscando o seu sexo pequenino, senti-a humedecer-se e vibrar. Demorou muito a terminar. Mas que delicioso e exaltante era senti-la a ronronar, a embaçar-se, mergulhada na vertigem do desejo, até que, por fim, um longo gemido estremeceu seu corpinho dos pés à cabeça. «Vem, vem», sussurrou, sufocada. Entrei nela com facilidade e apertei-a com tanta força que saiu da inércia em que o orgasmo a deixara. Queixou-se, retorcendo-se, tentando libertar-se do meu corpo, queixando-se: «Estás-me a esmagar». 

Com a boca colada à sua, roguei-lhe:
- Por uma vez na tua vida, diz-me que me amas, menina má. Mesmo que não seja verdade, diz-mo. Quero saber como soa, ao menos uma vez.

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