Fallen From the Same Tree

WHAT ARE WE CAPABLE OF DOING WHEN OUR LIFE IS IN DANGER? HOW FAR ARE WE WILLING TO GO TO ENSURE OUR FREEDOM?

Fallen From The Same Tree is a novel that revolves around an inconvenient meeting between a group of seven friends and a gang that escaped from prison. Everything takes place on a farm somewhere in the Alentejo, where Francesco Monica decides to celebrate his birthday. The same farm that was elected as a place of refuge for a group of prisoners sought by police.

The house is only a scenario where we witness the events waltz and a whirl of emotions involving two groups of people stuck in a space that is becoming too small as time goes by. The differences between each other tend to worsen in times of danger, and fear will highlight the features by which each one follows its moral conduct. More than a compelling story, Fallen From The Same Tree is a reflection on behaviors, on the meager knowledge that humans have about themselves , about the social fabric, about good and evil.

Excerpts

Capítulo 2
Capítulo 2

"Orgulhava-se do nome que escolhera para os filhos. Ao contrário do seu, Zacarias Domingos Marraça! Domingos da parte da mãe, Marraça da parte do pai. Zacarias Domingos Marraça era nome de pobre, de desgraçado que carrega uma cruz, não podia ser nome de gente importante: não podia ser nome de médico, nem de arquitecto, nem de padre, nem de inventor, muito menos de ministro ou de Presidente da República. Quem é que acreditaria na receita do médico Domingos Marraça? Como é que o padre Marraça iria convencer os fieis com um nome tão desgraçado? Alguém acreditaria no político Marraça? Pois se até com apelidos respeitáveis já ninguém os levava a sério!"

Capítulo 3
Capítulo 3

"E foi tal a loucura que amanheci enrolada ao Ivo, num quarto mal-amanhado, que mais parecia o sítio de uma banda musical, mas de onde se via o Padrão dos Descobrimentos e o Tejo; amanheci com beijos e carícias, desvendando prazeres desconhecidos. Quando me despedi e regressei a casa já me sentia verdadeiramente uma mulher. Os alicerces do meu mundo tinham-se alterado. Os meus olhos estavam mais azuis, a minha pele mais sedosa, os meus cabelos mais brilhantes, os meus sentidos mais acordados. Tive a sensação clara, nos dias que se seguiram, que os olhares de malandrice e de desejo dos homens se tinham tornado mais frequentes. Olhava para o espelho e gostava do que via. O sol brilhava mais e o céu ficou mais azul do que nunca. Dei conta de como era belo o cantar dos rouxinóis."

Capítulo 8
Capítulo 8

"A barra cedeu um pouco mas não o suficiente. Honório agarrou na perna de uma das cadeiras, encavalitou-a nas grades e fez força. As barras da grade tinham começado a vergar quando se ouviu o estalido da madeira a rachar. Ouviram-se passos. Um dos guardas prisionais abriu a luz do corredor e começou a percorrê-lo ao mesmo tempo que vasculhava cada uma das celas. Honório encostou a janela. Deitaram-se ambos, Zacarias fingiu que ressonava. Assim que se aperceberam que o guarda fechara a luz e regressara ao ponto de origem, agarraram num dos três pés da cadeira e voltaram a forçar. Uma, duas, três vezes, a grade acabou por ceder o suficiente para eles se esgueirarem."

Capítulo 14
Capítulo 14

"Tirou a chave da mala. Um silêncio estranho pairava sobre o sítio. Assim que deu meia dúzia de passos percebeu que a porta da traseira estava semi-aberta. Aproximou-se mais e postou-se junto à entrada, prendendo a respiração. Pôs-se à escuta mas não ouviu nada. Apercebeu-se, porém, que a luz vinha da sala. Hesitou, o seu sexto sentido dizia-lhe que algo estava errado.

– A menina está aí?

Um silêncio absoluto pairava sobre a casa. Um silêncio sinistro. Joaquina sentiu que a pele se eriçava. Empurrou a porta com uma das mãos enquanto a outra segurava a chave e a mala, e voltou a perguntar:

– Dona Mónica?, a menina está aí?

Hesitou entre largar tudo e fugir ao deus-dará ou trancar-se no carro e telefonar à patroa. Sentia-se a tremer da cabeça aos pés. Puxou da mala que tinha a tiracolo mas por mais que procurasse não conseguia dar com o telemóvel. Quando finalmente o encontrou e se preparava para teclar o número de telefone da menina, ouviu uma voz rouca e medonha atrás de si dizer-lhe:

– Entre, não fique aí à porta!

Deu um salto para trás e clamou:

– Ai meu Deus!"

Capítulo 24
Capítulo 24

"Encostou o dedo ao gatilho e pensou no descanso que aquele homem iria ter assim que ele disparasse. O que era o ioga que o moribundo chegara a praticar, o que eram as outras técnicas de exercícios mentais ou físicos para libertação da mente, comparada com a morte, único meio capaz de garantir a tranquilidade eterna? Nada! Um, dois, três...

 

Foi então que começou a tremer, uma sensação estranha apoderou-se de si fazendo-o tiritar como se estivesse com febre. Tremia tanto que em poucos segundos lhe doíam a cabeça e o peito. Baixou a arma mas o simples gesto de a guardar assumiu contornos de uma extrema dificuldade. Nunca tal lhe acontecera. Por um momento teve a sensação que a penumbra da morte o procurava. Tiritava de tal forma que não conseguiu deixar de pensar, que daria tudo naquele momento para ser ele o morto-vivo à espera que o vivo-vivo, o despachasse com um simples tiro na cabeça.

 

Agarrou na mão do moribundo e por dois segundos teve a sensação que ele morrera. Mas não, Ricardo Pombo continuava vivo, muito provavelmente em coma. E se o enterrasse vivo? "

Capítulo 33
Capítulo 33

"Que fantasmas se agarravam ao meu pai a ponto de o fazer passar do mimo e da ternura à violência? Para já basta-me pensar que a guerra muito terá concorrido para o vaivém das suas sombras. A palavra guerra deve ter as respostas que ele nunca me deu: a ocupação, as patrulhas, as emboscadas, os bombardeamentos, as rajadas, as crateras, os mortos e feridos, os gritos e gemidos, o medo, os corpos decepados, o sangue, a necessidade de matar para não morrer. Da guerra sobejavam outras tantas razões, uma voz interior diz-me que não é preciso procurar mais.

Terei de aprender a conviver com os farrapos das minhas velhas memórias, sacudindo o mal e enterrando os velhos rancores. O meu pai, o Ivo, os acontecimentos da Casa dos Francesco, fizeram parte da minha caminhada. Tenho-me lembrado muito do amor da minha vida, de detalhes de que nunca falei: das nossas idas à Serra da Arrábida, dos beijos que dávamos ao pôr-do-sol, dos nossos passeios, da areia da praia, das searas de trigo, dos nossos amigos, das prendas que trocávamos, do nosso despertar, do que fazíamos e sonhámos fazer."

Comments

Suzyn

em 28 April, 2016

A little rationality lifts the quality of the debate here. Thanks for conbirtuting!

Alina

em 29 April, 2015

Este livro surpreendeu-me muito. Tinha-o comprado por impulso há cerca de dois anos, e ainda não lhe tinha pegado. Andei à procura de opiniões sobre ele mas não encontrava nada que me fizesse querer lê-lo nem colocá-lo de parte todo ele era para mim um ponto de interrogação que eu tinha receio de pegar. Devo dizer que fui uma idiota por ter esperado tanto tempo. A história é sempre contada na primeira pessoa e passa-se em Portugal, o que para mim (sendo portuguesa) faz com que a história tenha um tom de ficção muito próximo da realidade em que vivo. Os lugares são familiares, as situações (antes do encontro do grupo de amigos com o gangue) também, o companheirismo idem aspas. Admito que no início ainda fiquei com dúvidas: começa pela perspetiva da personagem principal, Mónica Francesco, nos seus anos de dramas adolescentes. No entanto, numa mudança de capítulo, todo o discurso e ambiente muda ao passarmos para a perspetiva de Honório, o cabecilha do grupo de reclusos que consegue fugir da prisão, tal como a mudança de tom na perspetiva de uma Mónica subitamente adulta e a comemorar os seus 33 anos. Foi nessa altura que me apercebi que o livro era realmente capaz de me surpreender. Adorei todo o mistério que envolvia Honório Farinha, a começar pelo pouco que se falava do seu passado, a sua atitude perante os outros, a sua inteligência fora do comum e os seus ideais (ou falta deles, dependendo da perspetiva). Todas as suas linhas de pensamento me fascinaram, das mais corriqueiras a alusões filosóficas em toda a linha - daí se ter tornado rapidamente a minha personagem favorita. Por vezes no mesmo capítulo há mudanças de perspetiva tão subtis que precisamos de prestar atenção às pequenas nuances para percebermos quem está a "falar" em determinado momento mas nada que não se siga bem. A única razão de não dar as cinco estrelas ao livro é o clímax. O que deveria ter sido, na minha perspetiva, o ponto alto da história, tornou-se numa situação quase feita à pressa (sem necessidade nenhuma) apresentada numa página mal cheia (quando deveria ter sido tratada no mínimo dos mínimos em duas). Por outro lado, o autor dá um "final" a todas as personagens, não ficando nenhuma por contemplar. Com pontos fortes e fracos, esta história mostra-nos que é precisamente nas situações mais difíceis que a nossa visão do mundo muda drasticamente e começamos a pensar de diversos prismas para o estranho mundo que nos rodeia. Outro ponto fulcral é toda a visão de como as nossas experiências nos moldam, tentar perceber o homem por detrás da besta e a besta dentro do homem - dentro de nós próprios. Como alguém disse, o mundo não se divide apenas em preto e branco, mas em vários tons de cinzento. Afinal, somos todos "caídos da mesma árvore". Uma pérola nas estantes dos autores portugueses.

Ana Branquinho

em 03 January, 2011

Um romance simples, envolvente, actual. Uma história que se desenrola através de uma coincidência. Como alguém dizia, « estavam no sítio errado, na hora errada». Fica ao critério do leitor escolher quem são afinal os maus, quem estava no lugar errado há hora errada. Parabéns Carlos. Bjs

Paulo Rodrigues

em 09 June, 2010

Gostei, está bem escrito e prende o leitor do princípio ao fim. Apreciei a forma como caracterizou o Honório, o mau da fita!

Mário Nogueira

em 03 March, 2010

Excelente ritmo, boa prosa, suspense até ao fim. Um livro que recomendo.

Cris

em 29 September, 2009

Um livro em que a cada página voltada, cria no leitor um turbilhão de sensações: emoção,suspense,revolta,tristeza...Vou destacar três personagens: Honório,Rute e Mónica, que me deixaram a pensar...Parabêns e venha o próximo.

Paula Gomes

em 28 September, 2009

História bem conseguida, com o "suspense" q.b.. Atitudes diferentes de estar na vida e suas consequências. O respeito pela diferença, versus os "chamados bons comportamentos" nesta sociedade moralista!!  Gostei muito. Parabens! Estou já esperando o próximo!!

Rafaela Salvador

em 28 September, 2009

Tão irreverente quanto realista a ponto de nos fazer pensar que esta podia ser a nossa história e de questionarmos-nos acerca das nossas reacções perante uma situação limite. Aguardo mais agradáveis surpresas como esta!!! PARABÉNS!!!!!

Lucinda Almeida

em 14 September, 2009

Uma boa surpresa, pois li o livro em apenas dois dias, o que é raríssimo. Destaco a figura do Honório, fiquei a pensar no que temos de igual em relação a este personagem. Livro obrigatório

Ruth Janice

em 12 September, 2009

Somos como uma rocha. Após a sua formação, complexa por sinal, enfrentamos o sol, o vento, a chuva. Deparamo-nos com as adversidades da vida, os caprichos da natureza, dos outros, de nós próprios. Somos o "somatório de emoções", ou como quem diz, de erosões. Somos esculpidos pelo tempo, e com o tempo nos tornamos a rocha x, y ou z, ou antes Mónica, Honório ou Ivo. Gostei muito deste romance, em particular pela capacidade de análise dos personagens, consubstanciada nas suas vivências, nas suas erosões. Algumas dadas explicitamente, outras não. Algumas fornecidas com o intuito de nos preparar, outras, as póstumas, que nos vêm esclarecer. Porque quase tudo na vida tem um porquê, uma explicação... Género "teoria do caos", mas adiante!    Gostei de algumas surpresas. Gostei de me identificar com certas características ou experiências de uma ou outra personagem, e se primeiramente senti um alívio como quem descansa porque não foi a única "pateta" a pensar ou a fazer algum disparate, por outro, reflecti no quão enriquecedora a Vida é. Que nos dá tempo para nos esculpirmos, nos moldarmos, e acima de tudo para amadurecermos com consciência e bem. Tempo para, em suma, alcançarmos o simples de propósito de sermos felizes! Termino com um bem-haja a uma não simples mas tão importante qualidade que devemos cultivar: a tolerância. Caídos da mesma árvore, na minha opinião, é uma ode à tolerância. Porque somos todos frutos, e não sabemos as tempestades que poderemos vir a passar, e no fundo, advindo delas, o que podemos descobrir em nós! Um beijo muito grande de amor e admiração. RJP

Monica

em 01 September, 2009

Vai ser dificil conter a tsunami de emoções... Da curiosidade, à excitação, passando pelas lagrimas e o riso, nao esquecendo tantas outras para as quais as palavras agora não vêm... É UMA HONRA...

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