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    Semana agitadíssima: para seis milhões de benfiquistas (ou serão sete?) é a catarse tão esperada, para milhões de fiéis a visita tão ansiada do Papa, para milhões de cidadãos é o fado de saber que mais medidas anticrise vêm a caminho. 

    Enchi-me de coragem, caducado que estava o meu Bilhete de Identidade, e fui tratar do Cartão do Cidadão, documento que substitui o velho BI e os cartões de beneficiário da Segurança Social, de Utente de Saúde e de Contribuinte. Quatro em um!

    Confesso que fiquei agradavelmente surpreendido com o atendimento e com o pouco tempo que perdi para resolver o assunto. Esqueci-me do Cartão de Utente mas o sistema conhecia o número; esqueci-me do número de Contribuinte mas o sistema sabia qual era; esqueci-me dos três últimos números do código postal da minha actual morada, mas o sistema e a sua memória de elefante não me deixaram ficar mal.

    Na perspectiva de utente não podia ter corrido melhor. Na perspectiva de cidadão com direito à privacidade fiquei a cogitar na revolução digital a que assistimos e na forma como a sociedade nos desnuda. Os nossos passos são registados desde que nos levantamos até à hora em que nos deitamos. Se um dia o Estado, ou qualquer outra entidade privada, se puser a reunir e a cruzar a informação que vamos produzindo – e que é registada através de cartões de crédito, de código de barras, de cartões de fidelização, de câmaras de vídeo, da Internet, ou de muitos outros suportes, como o Facebook – pouco ou nada ficará por saber. E não é de escutas que estou a escrever!

    Há olhos por todo o lado, olhos que sabem quem somos, com quem andamos, que dinheiro temos, quanto gastamos, o que comemos, que uísque bebemos, por que estradas conduzimos, com quem trocamos mensagens, que preservativos utilizamos e com que periodicidade os adquirimos. Assustador!

    Em muitas cidades, por razões de segurança, proliferam as câmaras de vídeo. É o preço do desenvolvimento, dirão alguns, é o início de uma nova era com muito menos liberdade, dirão outros. E o que mais podemos imaginar neste louco mundo da revolução digital?


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Comentários

Nome: Sílvia Gusmão | Data: 2010-05-17 19:51:24

Na Wikipédia a Ficção Científica é definida como: "uma forma de ficção desenvolvida no século XIX, que lida principalmente com o impacto da ciência, tanto verdadeira como imaginada, sobre a sociedade ou os indivíduos. O termo é usado, de forma mais geral, para definir qualquer fantasia literária que inclua o factor ciência como componente essencial, e num sentido ainda mais geral, para referenciar qualquer tipo de fantasia literária."

Curiosamente muitos dos livros de ficção científica têm por base a utilização da ciência no controlo dos Humanos e a posterior revolta destes contra este domínio.

António Gedeão um dia escreveu que o sonho comanda a vida… para azar nosso, existem sonhos bons e sonhos maus e quem escreve Ficção Científica opta quase sempre por começar o seu sonho em tom de pesadelo. Apenas nos resta a esperança de que estes mesmos escritores terminam quase sempre as suas obras com princípios de sonhos bons.

Deixo aqui a referência como referência a Guerra dos Mundos de Herbert George Wells e o Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley



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