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  • Férias

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    Cruzo-me com vizinhos, com conhecidos, com gente que vejo na rua ou que vejo no Holmes, e as perguntas que me fazem são sempre as mesmas: Já foste de férias? Não?!, E quando é que vais?

    Vejo-lhes no rosto o cansaço, a ansiedade, a vontade de atirar com os problemas para trás das costas e desopilar! Férias, férias, só se fala de férias... Há quem apanhe um avião e procure outros ares, quem viaje cá dentro, quem vá acampar, quem ponha a mochila às costas e peça boleia, quem vá de mota, quem esteja à espera do Andanças ou simplesmente quem fique em casa a preguiçar...

    Por esta altura, recordo-me sempre das esplêndidas férias que já passei em várias partes do mundo, e não deixo de sorrir com as situações surpreendentes e bizarras que já me aconteceram: como a de estar num restaurante na cidade do México, com música ao vivo, e ser puxado por uma bailarina para dançar sapateado; como a de estar em São Paulo e apanhar com uma greve que me fez regressar ao hotel, dar com o Presidente Sarney no elevador, e assistir meia-hora depois a uma manifestação de milhares de pessoas na rua, com o rosto tapado para não serem reconhecidas; como a de ir para Praga e ver o Rio Moldava trepar pela cidade acima – de tal forma, que as autoridades aconselharam os turistas a apanhar o avião e a regressar aos seus países de origem; como a de andar de bicicleta em Amesterdão durante dias e dias, no meio de dezenas de milhar de outras, por entre canais, museus e belíssimos edifícios; como a de ir para Varadero em Fevereiro e apanhar o pior tempo dos últimos trinta anos, sem que tal facto me estragasse as férias; como a de chegar a Marraquexe à noite e ir directo para a Praça Jamal El Fna – praça apinhada de gente, de animais, de serpentes, de sons inenarráveis, debaixo de um céu alaranjado –, e ficar verdadeiramente extasiado, até conseguir sentar-me e comer uma tagine berbere!

    É tempo de esquecer a crise e carregar as baterias... Quem puder, é claro!

    Boas férias!


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