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  • Carta de um Morcego

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    Há quem fique arrepiado só de ouvir falar no nosso nome. Chamam-nos morcegos e outros nomes muito esquisitos: morcego-orelhudo, morcego rato-grande, morcego-vampiro, morcego-rabudo, e outros impropérios que não me atrevo sequer a mencionar. 

    Não nos sentimos inferiores aos humanos, bem pelo contrário: temos pêlos tal como vocês (vá lá, um pouco mais), temos mãos com cinco dedos (e só surripiamos para comer), damos leite aos nossos filhotes, vemos muitíssimo bem (ao contrário do que muitos tontos andam por aí a dizer), e fazemos uma coisa que mais nenhum mamífero sabe fazer: voar.

    É claro que podíamos falar de muitas outras particularidades: como a de nos alimentarmos de insectos que são prejudiciais às culturas; como a de transportar o pólen das flores macho para as flores fêmea (temos um papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas); como a de falarmos uns com os outros numa linguagem que só nós entendemos; como a de descansarmos de cabeça para baixo ou a de hibernarmos se for necessário.

    Estamos a desaparecer aos poucos por uma multiplicidade de causas quase todas com origem nos homens, que enchem hectares e hectares de terra com insecticidas, que poluem as águas, que sujam o ar que respiramos, que destroem os nossos abrigos naturais... Como se não bastasse, criaram agora a moda das turbinas eólicas cujas pás nos cortam aos pedaços e cujos sons nos provocam hemorragias internas.

    E embora os outros morcegos não me tenham dado carta-branca para falar em nome deles, eu pergunto: quem são os dráculas, os vampiros, os bruxos, os sanguessugas? Nós ou vocês?


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Comentários

Nome: Sílvia Gusmão | Data: 2010-05-31 17:48:58

Olá amigo Morcego,

O meu nome é rã e, tal como tu, sou vítima dos homens "que enchem hectares e hectares de terra com insecticidas, que poluem as águas, que sujam o ar que respiramos, que destrõem os nossos abrigos naturais".

Ando cheia de um fungo, chamado chytrid fungus, que me cobre a pele e torna os meus poros não funcionais. Assim deixo de absorver água, pela pele, e tenho tanta dificuldade em respirar que me sinto com "asmorã". Inevitavelmente vou morrer por desidratação.

Como eu há muitas mais… assim assiste-se a “uma coisa rara testemunhar a extinção de uma classe inteira de animais”. Estima-se que nos últimos 10 anos se tenham perdido 170 espécies de rãs…

Felizmente há quem pense em nós. Deixo aqui a referência à Organização The Nature Conservancy, cuja missão é "proteger os animais, plantas e comunidades naturais que representam a diversidade da vida na Terra e proteger as terras e águas de que eles precisam para sobreviver”.

Fica aqui a minha simpatia para a vossa enfermidade e espero que os homens não vampiros te ajudem.

Mil beijos e abraços.



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