Loading...

Blog

  • Sonhos loucos

    tags:
    0 comentários

    Disse-lhe que Freud e Jung explicavam os símbolos e figuras que surgem nos nossos sonhos e o mais íntimo da nossa consciência, e ela passou a contar-me tudo o que sonhava no dia anterior.

     

    Disse-me que sonhara com um homem que dizia que era o Leonardo Da Vinci e que este lhe garantia que ela era a Mona Lisa, e eu fiquei sem saber o que dizer.

     

    Disse-me que sonhara que namorava com uma ursa que se chamava Consorte e que esta a seduzia de meia em meia hora e onde quer que estivessem, e eu fiquei sem saber o que dizer.

     

    Disse-me que sonhara que estava grávida mas que a barriga lhe crescia pelas costas, e eu fiquei sem saber o que dizer.

     

    Disse-me que sonhara que era uma lula e que estava no aquário da sua casa, e que durante uma boa parte da noite assistira à orgia que os pais, avós, amigos e conhecidos faziam dentro de casa; disse-me que se pôs a reclamar encostada ao vidro, mas que de cada vez que falava, ou melhor, de cada vez que dizia glu-glu se ia afogando, e eu garanti-lhe que ia ler novamente Freud e Jung.

     

  • Faltou perguntar

    tags:
    0 comentários

    Esta semana ouvi dizer em dois debates televisivos que Portugal vive acima das suas possibilidades. Como economista que sou, não tenho dificuldade em compreender e admitir a situação.
    Mas a questão central é: que estratos sociais vivem acima das suas possibilidades? Ou, se quisermos ver por outro prisma, quem tem condições para pagar a crise?

     

    Acabo de ler num matutino que os pilotos da Tap ameaçam com nova greve de quatro dias.
    Dá vontade de perguntar: Que mais querem os pobrezitos?

     

    Li também algures que a Alemanha é apologista de que a Grécia venda umas ilhas para reduzir o défice.
    Reli duas vezes para ter a certeza de que não me tinha enganado. E se a moda chega a Portugal?

     

    Li no Expresso que há uma Editora Portuguesa interessada em publicar a história dos homicídios do monstro português em Fortaleza.
    É caso para dizer: Luís Militão, o crime compensa!

  • Sem sabor

    tags:
    0 comentários

    Pedi uma sopa, uma salada mista e um sumo. A primeira estava ligeiramente salgada, a segunda não sabia a quase nada: o tomate estava avinagrado e as rodelas de maça e de cenoura sabiam a tudo menos a maça e a cenoura. O sumo, esse, possuía um sabor indecifrável (tinha banana e abacaxi, mas este último devia ser de lata).

     

    Comi, saí e entrei no carro, uma estação falava na autorização da União Europeia para a produção de batata e milho transgénicos e na reacção de espanto e de choque por parte dos ecologistas. A história diz-me que a razão tem andado sempre muito mais perto destes do que daquela. Por um sem número de razões, basta que nos lembremos da contaminação genética, do uso excessivo de herbicidas, ou das ameaças à saúde humana.

     

    Cheguei a casa, estiquei-me ao comprido e liguei o televisor, coisa que raramente faço, e fiquei a ouvir o Professor Medina Carreira falar dos Partidos Políticos que têm governado o país desde 1974. Não vou descrever o que ouvi, quem quer que me esteja a ler imagina o que foi dito.  

     

    Que raça de tempo, pensei, enquanto desligava o televisor e me punha a ler 1919, de John dos Passos, um dos grandes escritores norte-americanos do século passado. Quando me deitei já eu estava mais bem-disposto.

  • O mundo

    tags:
    0 comentários

    Tive sempre mais facilidade em fazer-me entender junto de adultos do que de crianças, o que não é propriamente um elogio.

     

    Lembro-me de estar a ler uma história a um garoto de cinco anos e de ele me pedir para explicar o que era o mundo. Confesso que tive de reflectir uns quantos segundos antes de responder. Fazia sentido falar-lhe do Universo? Fazia sentido falar-lhe do mundo verdadeiro, ainda que de uma forma simples, ou deveria antes pintá-lo de fantasia e brincadeira? Fazia sentido dizer-lhe que o mundo era o conjunto de tudo quanto existe – continentes e oceanos, pessoas e animais, e chegar aos bons e aos maus, como é do agrado das crianças?

     

    «O mundo é uma escola grande onde se pode aprender a ler, a escrever, a brincar, a inventar, a crescer...», disse-lhe. «E todas as pessoas aprendem a inventar e a crescer?», perguntou-me sorrindo. E eu fiquei sem saber o que dizer.

  • Fernando Nobre

    tags:
    1 comentários

    Passei uns dias fora do país sem acesso à informação. Soube, assim que cheguei, que o fundador e líder da Assistência Médica Internacional (AMI), o médico Fernando Nobre, se vai candidatar à Presidência da República. Trata-se de uma boa novidade. Primeiro, porque é preciso repensar Portugal. Repensar estratégias, repensar objectivos, repensar caminhos. Segundo, porque é altura da sociedade civil demonstrar que a política deve estar acima dos políticos não se esgotando neles. Terceiro, porque se trata de um humanista que consagrou a vida a ajudar quem precisa. Um humanista sem uma máquina partidária e financeira atrás de si.

     

    Bem-vindo, Fernando Nobre!

  • Carnaval

    tags:
    0 comentários

    É tempo de festa, é tempo de Carnaval: máscaras, folias, travessuras, bailes de gala, cortejos de rua. Máscaras de políticos ou de animais, divertidas ou sinistras, sagradas ou profanas. Calha sempre numa terça-feira. Há quem leve o ano inteiro a preparar-se. Como o Viegas.

     

    Disse-me há três meses que se ia mascarar de galo. Porquê?, perguntei. Para conquistar um poleiro, respondeu.
    Disse-me depois que se ia mascarar de frade. Porquê?, indaguei. Para dar que falar a um convento, disse, abrindo muito os braços.
    Disse-me mais recentemente que se ia mascarar de cigarra. Porquê?, voltei a perguntar. Para aprender a ser político, respondeu sorrindo.

     

    É Carnaval, ninguém leva a mal!


Voltar