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  • PT e a Golden Share

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    E se ontem perdemos 1-0 com a Espanha, num jogo em que Queiróz esteve mal e o nosso Cristiano completamente ausente, hoje a PT ganhou à Telefónica, ainda que com a ajuda de Sócrates e da golden share.

    Vão recorrer os espanhóis ao Tribunal de Justiça Europeu, que se pronunciará muito em breve, mas não deixa de ser curioso ver nuestros hermanos zangados - eles que são, muito provavelmente, o país mais proteccionista da União Europeia. Não deixa de ser curioso verificar também que apesar da crise ser profunda, algumas multinacionais europeias andam às compras. Compram barato, é claro. Portugal limita-se a vender, mas o mais estranho, porém, é ver a facilidade com que alguns decisores portugueses o fazem.

  • Alergias

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    É alta e vistosa e tem uma cabeleira de se lhe tirar o chapéu: grande, de cabelos castanhos encaracolados que vão baloiçando graciosamente pelas costas abaixo. Chama-se Cesaltina. Perde-se o tempo que a conheço e que é minha amiga. Encontrei-a há dias, fez-me uma grande festa quando me viu, apenas interrompida por alguns espirros. «São as alergias, Carlos, chegam-me na Primavera e só se vão embora no final do Verão», disse-me, com ar de quem nunca se conformará. «Sou alérgica aos ácaros, ao pólen, ao pó da casa, ao pêlo do gato, aos morangos, ao chocolate, aos lacticínios...»

    Bebemos um café, tempo para ela desembuchar e falar de outras alergias. Não gosta de touradas políticas nem de discursos circulares, ficou com urticária, garante, quando soube que o Presidente da República não participou nas cerimónias fúnebres de José Saramago. Voltou a falar-me do Memorial do Convento que leu cinco vezes, voltou a falar-me do Ensaio da Cegueira e da cegueira dos que vendo tudo pouco ou nada enxergam. Tapa os ouvidos quando ouve as vuvuzelas, espirra e assoa-se com os comentários acerca das sete virtudes da Selecção Nacional, virtudes despontadas uns minutos depois de acabar o jogo que Portugal venceu por 7-0 à Coreia do Norte; sente uma estranha coceira quando se lembra da vontade de alguns países em reatar a caça às baleias, ou quando ouve dizer que Portugal vai permitir a comercialização de alimentos geneticamente modificados. Lacrimeja, coça-se, espirra, incomoda vê-la tão aflita. 

    Passa-lhe a coceira quando se põe a cantarolar um dos muitos refrões que conhece, que podem ir de um qualquer vira-virou a uma música moderna. Passa-lhe a coceira quando vaidosamente fala nos sobrinhos. Passa-lhe a coceira quando se ri alegremente ou quando se põe a contar insólitas histórias. É assim a Cesaltina.

  • O Titanic a Afundar

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    Leio nos jornais que a Comissão Europeia exige que o governo português prepare mais medidas de austeridade, para que a descida do deficit em 2011 baixe para 4,6%. Fico a pensar... Primeiro foi o PEC, seguiu-se um gordo pacote de medidas para combate à crise (leia-se para apertar o cinto), perfilam-se agora muitas outras possibilidades com uma finalidade única: a de equilibrar as contas públicas.

    Não fico admirado com o nível de exigências da Comissão Europeia, fico sim admirado com a passividade com que os cidadãos portugueses se comportam. Não fico admirado com as medidas de austeridade de todos os tamanhos e matizes, fico sim admirado com a embriagues em que andávamos e andamos. Não fico admirado com a lucidez da análise crítica que Mário Soares faz do actual estado da União Europeia – onde faz alusão à mediocridade e falta de coragem política dos actuais líderes europeus –, fico sim admirado com as vozes discordantes. Não fico admirado se mais impostos subirem, ficarei sim admirado se houver um corte sério na despesa pública. Não fico admirado se continuar a ouvir falar de negociatas, de sacos azuis, de escândalos, de offshores, de reformas milionárias, ficarei sim admirado se houver quem ponha mão nisto.

    Falta-nos ética e seriedade. Não há como nós, portugueses, a arranjar desculpas, a cantar de cigarra, a fazer pouco e a gastar o que ainda não se ganhou! Continuamos à espera que apareça um Messias!

    Vejo o Titanic a afundar... O país parece estar ingovernável e à espera de ordens de Bruxelas! Será que a sociedade civil vai continuar impávida e serena, como se nada estivesse a acontecer?

  • Mundial de Futebol 2010

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    Assisti em casa à cerimónia de inauguração de mais um Mundial de Futebol, desta vez em África. Mais do que caloroso, o arranque foi brilhante, com muita cor, muita vida, muito ritmo e vibração, ao bom estilo dos africanos. Músicos e cantores de vários países do continente anfitrião puseram a assistência em delírio, muito embora a festa esteja ensombrada pela morte da bisneta de Mandela, ocorrida ontem, no Soweto.

    Não o merecia aquele que é o pai da jovem pátria da África do Sul e um dos mais carismáticos líderes da história contemporânea. Tem destas voltas o destino!

    Milhões de africanos, em geral, e de sul-africanos, em particular, personificam a alegria, acreditando não só na vitória do jogo de hoje contra o México, mas também na possibilidade de o país se sagrar campeão do mundo. Estão no seu direito!

    Torço para que seja uma festa bonita e que contribua para a aproximação dos povos, para o esbater das diferenças e para a afirmação daquele que é o mais sofrido mas também o mais encantado dos continentes: África Mãe. Afinal, foi nela que nascemos! Que seja uma festa alegre e digna de ser vista e recordada.

    Fica o link do vídeo da participação de Shakira na abertura da copa, para quem ainda não viu: http://www.youtube.com/watch?v=a5WAX1yQEV8

  • Mancha da Morte

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    A extensão da maré negra no Golfo do México é uma das mais devastadoras de sempre. A região vive uma indescritível catástrofe ecológica e o caso não é para menos. Sendo grande parte da costa constituída por ilhotas e braços de rio, é fácil perceber a dificuldade em suster a onda de petróleo, e entender o desespero das populações que moram na zona e vivem da pesca, enquanto a mancha do óleo da morte avança.

    As consequências são catastróficas: milhões de peixes mortos, pelicanos, tartarugas e muitas outras aves marinhas agonizam, algumas espécies da fauna e da flora marinha correm o risco de desaparecer para sempre, o ecossistema do Golfo do México sofrerá danos irreparáveis.

    Mas o que mais me intriga nesta catástrofe é a polémica que rodeia a British Petroleum (BP). A empresa está autenticamente debaixo de fogo: pela Administração Obama que acusa a empresa de ter provocado o maior desastre ambiental de sempre; pelos ambientalistas que acusam a BP de ser useira e vezeira em acidentes deste tipo; por uma infinidade de consumidores em todo o planeta dispostos a deixar de consumir produtos da companhia petrolífera.

    Conseguirá a empresa sobreviver ao prejuízo que vai ter de pagar e à fúria de milhões de americanos e de consumidores de todo o mundo? Será que é desta vez que as Nações Unidas criam uma entidade que controle a actividade das petroleiras punindo-as severamente sempre que ocorra um acidente deste tipo? E já agora, uma última pergunta: ter-se-ia falado nesta tragédia se ela tivesse ocorrido na costa de um país do chamado Terceiro Mundo?

  • Carta de um Morcego

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    Há quem fique arrepiado só de ouvir falar no nosso nome. Chamam-nos morcegos e outros nomes muito esquisitos: morcego-orelhudo, morcego rato-grande, morcego-vampiro, morcego-rabudo, e outros impropérios que não me atrevo sequer a mencionar. 

    Não nos sentimos inferiores aos humanos, bem pelo contrário: temos pêlos tal como vocês (vá lá, um pouco mais), temos mãos com cinco dedos (e só surripiamos para comer), damos leite aos nossos filhotes, vemos muitíssimo bem (ao contrário do que muitos tontos andam por aí a dizer), e fazemos uma coisa que mais nenhum mamífero sabe fazer: voar.

    É claro que podíamos falar de muitas outras particularidades: como a de nos alimentarmos de insectos que são prejudiciais às culturas; como a de transportar o pólen das flores macho para as flores fêmea (temos um papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas); como a de falarmos uns com os outros numa linguagem que só nós entendemos; como a de descansarmos de cabeça para baixo ou a de hibernarmos se for necessário.

    Estamos a desaparecer aos poucos por uma multiplicidade de causas quase todas com origem nos homens, que enchem hectares e hectares de terra com insecticidas, que poluem as águas, que sujam o ar que respiramos, que destroem os nossos abrigos naturais... Como se não bastasse, criaram agora a moda das turbinas eólicas cujas pás nos cortam aos pedaços e cujos sons nos provocam hemorragias internas.

    E embora os outros morcegos não me tenham dado carta-branca para falar em nome deles, eu pergunto: quem são os dráculas, os vampiros, os bruxos, os sanguessugas? Nós ou vocês?


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