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  • Dia 3 de Setembro

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    E o 3 de Setembro lá chegou. Confesso que a lembrança que era o dia D me fez levantar mais depressa. Contagem decrescente, tudo o que se deseja é que a hora chegue depressa e que as coisas corram pelo melhor.

     

    O tempo, esse ingrato, começa a torturar-nos, as horas deixam de ter sessenta minutos, os minutos deixam de ter sessenta segundos!

     

    A ida para o El Corte Inglês ficou marcada por um trânsito muito acima do expectável. Por fim lá cheguei, a sala estava já cheia de gente. Dez minutos depois iniciou-se a apresentação. Primeiro a anfitriã, depois o Editor, logo a seguir a apresentação da Lídia Jorge – a parte mais brilhante do lançamento do livro Caídos da Mesma Árvore – e, finalmente, a minha intervenção.

     

    Confesso que não gosto de ser o centro das atenções, de resto não simpatizo com o culto da personalidade. Há momentos na vida, porém, que outros sentimentos se instalam. Estavam ali as pessoas mais chegadas, estavam ali os amigos a votarem em mim, estava lá aquela que é uma das melhores romancistas portuguesas.

     

    Não sei qual vai ser a vida do livro Caídos da Mesma Árvore. Sei que valeu a pena escrevê-lo e algo me diz - a voz que só nós mesmos ouvimos - que os leitores vão gostar de o ler.

  • Parece mentira mas não é!

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    Nos meus rituais de sábado de manhã muda apenas o local para onde vou, o semanário e as revistas acompanham-me sempre. Foi por ele que soube que a derrocada na praia Maria Luísa tinha provocado cinco mortos, e que o alerta de derrocada fora dado há dois anos, de resto a zona vem assinalada no Google como área de elevado risco. A Autoridade Marítima diz, e passo a citar: «Era previsível a queda da arriba. As pessoas devem salvaguardar-se de situações de risco, o que não foi o caso.» Li duas vezes, parece mentira, mas não é!

     

    Li que o governo escuta as conversas que se passam no Palácio de Belém! O Primeiro-ministro diz que são disparates de Verão e o Presidente da República, esse, nada diz. A conflagração entre poderes é manifesta e manifesta é a tristeza de quem assiste. Parece mentira, mas não é!

     

    Li também que o governo de Angola contratou três testas-de-ferro para comprarem até 49% do Banif. O jornal diz que as compras foram feitas – 67 milhões de euros – onde é que o dinheiro foi parar é que ninguém sabe. Parece mentira, mas não é!

     

    Dois dias antes das eleições presidenciais no Afeganistão, foi aprovada uma lei que permite que os maridos condenem as mulheres à fome se se sentirem sexualmente insatisfeitos. O documento foi aprovado pelo governo do presidente Karzai que é apoiado pela comunidade internacional, em geral, e dos EUA, em particular. Parece mentira, mas não é!

     

    Fiquei a saber também que o petróleo líbio é muito mais importante que as 270 vítimas de Lockerbie. Fiquei esclarecido: o bombista foi solto tendo Muammar Kadhafi agradecido o envolvimento do primeiro-ministro Gordon Brown e dos membros da família real britânica no processo! Parece mentira, mas não é!

     

    “Sacanas Sem Lei” é o novo filme do Tarantino. Parece mentira, mas não é!

  • Saramago, olho por olho, dente por dente

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    [Sr. Palomar] Olho por olho, dente por dente: José Saramago sobre D. Duarte: «O rei assim é o sr. D.. http://bit.ly/PT0hK

    Via, http://twitter.com/senhorpalomar

     

  • Comprei

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    Este fim-de-semana fui às compras. Estive atento à televisão, olhei para os jornais, consultei a Internet, li todos os folhetos (e eram muitos) que me puseram na caixa de correio, para ter uma ideia antes de comprar.

    Às dez horas de sábado saí de casa. Bastou-me entrar no centro comercial para me esquecer de tudo, até do café e do semanário que habitualmente compro. Então não é que havia descontos de 50, 60 e de 70%, tudo ali a um pequeno passo?!

    Comecei pela moda homem, vi calças de marca de muito bom estilo. Comprei. Olhei para as camisas, para os pólos, para as t-shirts, tudo a menos de metade do preço. Comprei. Agarrei num casaco azul-marinho. Lindo! Olhei para o lado, um carcamano de olhos em bico olhava para o meu casaco. Comprei. Fui à sapataria e não é que encontrei uns sapatinhos finos de camurça que ainda não tinha, por uma autêntica pechincha? Imaginei-os logo no quarto onde tenho quarenta e sete pares de sapatos... Comprei, é claro, não ia perder a oportunidade.

    Passei depois na perfumaria do segundo piso, descobri essências que não conhecia, por um preço baixíssimo. Os meus olhos acenderam-se! Comprei.

    Fui a correr ao carro levar os sacos, perfumei-me e voltei logo a seguir. Passei na livraria, vi nas prateleiras saldos de CDs, DVDs e jogos electrónicos por preços imbatíveis. Comprei.

    Continuei a ver, agora na secção Casa. Descobri uns cortinados azuis, uma colcha cor-de-laranja, uns lençóis brancos com bordados vermelhos, uns apliques fantásticos com total garantia de qualidade. Mas o melhor estava para vir... Do lado sul do centro comercial havia saldos de saldos absolutamente irrecusáveis: comprei uma carteira de pele, um chapéu mexicano por apenas dois euros, uma vassoura multifunções, uns bigodes de pai Natal para usar no fim do ano, umas botas de cobói, uns ténis gregos, um cortas unhas eléctrico, e o direito de poder voltar para a semana com mais dez por cento de desconto.

  • Um país de conselheiros

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    Somos um país de conselheiros. Em casa, na rua, na empresa, no café, em qualquer sítio onde haja portugueses há conselhos em trânsito. Damos conselhos aos filhos, aos colegas, aos amigos, às pessoas que conhecemos e até àquelas que mal conhecemos.

      

    Faz parte da nossa portugalidade. É a nossa opinião que está em jogo: o EU que sabe, o EU que aprende, o EU que ensina, o EU que não queremos ou não sabemos largar, o EU que aparece na maior parte das coisas que dizemos:

      

    «Eu acho que não podes continuar a...»

    «Ela não presta, filho, se eu fosse a ti...»

    «Quer um conselho senhor deputado?...»

    «Eu se fosse a ti não pensava duas vezes...»

     

    Não quero com isto dizer que um bom conselho não possa pontualmente ser um benefício precioso. Pode, claro que sim. Mas aconselhar é dizer o que faríamos no lugar da pessoa a quem aconselhamos. Que garantia temos de estarmos certos? Ora, o facto de haver duas opiniões diametralmente opostas não significa que uma delas esteja errada. 

     

    O saudoso Agostinho da Silva dizia:

     

    «Desconfio dessa coisa de dar conselhos aos outros. Acho que sempre que a gente dá um conselho a outrem, é porque queríamos que quem está naquela situação nos desse aquele conselho ou qualquer coisa semelhante...».

     

    Outra vez disse:

    «Nenhum de nós poderá, num momento qualquer, garantir que a sua doutrina seja a que encerre a verdade.»

     

    Talvez valesse a pena pensarmos nestas palavras antes de darmos o próximo conselho!

  • Gostar de escrever

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    Há gente para todos os gostos. Há quem goste de conversar, quem goste de comer, quem goste de passear, quem goste de música ou simplesmente namorar. 

     

    Pertenço ao grupo dos que gostam de muitas coisas, entre elas o ler e o escrever. Tinha oito anos quando li o meu primeiro livro sem desenhos. Não me lembro do título mas lembro-me de parte da história. História que terminava com a morte do herói. Chorei durante horas, só voltei a ler vários meses depois. Muitos anos se passaram desde então, tudo concorreu para que me tornasse num leitor compulsivo. Daqueles que anda sempre agarrado a um livro.

     

    Quando decidi escrever o primeiro post neste blog, dei comigo a pensar nas razões que levam as pessoas a escrever. Porque escreves?, perguntei-me.

     

    Talvez escreva para viver vidas que gostaria de ter vivido, talvez escreva para gritar sem ruído, talvez escreva para fazer a minha catarse.

     

    Sei que não escrevo como gostaria. Sou dos que pensa que ninguém poderá escrever muito bem sem primeiro queimar as pestanas. Escrever é uma corrida sem meta à vista. Uma corrida onde há tempo de sobra para meditar, rir, ou até mesmo sofrer.

     

    Porque lês?, Porque escreves?, são as perguntas que deixo no ar, ficando na expectativa de ler as respostas.


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