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  • O futuro do planeta

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    Cerca de 140 Chefes de Estado e de governo estão reunidos em Copenhaga, a discutir a questão das alterações climáticas. A poucas horas das grandes decisões, se é que as vamos ter, a cimeira tem sido marcada pelos nacionalismos extremados da maior parte das nações: a China, país com as maiores emissões do mundo, aguarda pelas metas dos americanos (não nos esqueçamos que nem estes nem aqueles assinaram o Protocolo de Quioto); a Índia diz que as suas emissões são inferiores às dos países industrializados; os países africanos exigem uma nova ordem internacional; a Austrália exige mais flexibilidade negocial! Como se o mundo estivesse reunido a discutir apenas um negócio!

     

    Tenho a sensação clara que a maior parte das pessoas ainda não percebeu que estamos à beira do colapso. Na Cimeira de Copenhaga discute-se a sobrevivência do planeta: o aquecimento global, a contaminação da água, a destruição da biodiversidade. Nenhum país pode ficar de fora. Nenhum de nós - na medida dos nossos conhecimentos - pode pôr-se ao largo desta questão. Chegou o momento de sermos mais ecológicos. Chegou o momento de exigirmos condenações exemplares a quem comete crimes ambientais. Chegou o momento de actuarmos e não ficarmos à espera que os Movimentos Ecologistas se ocupem de uma coisa que a todos diz respeito. Afinal, é da VIDA que estamos a falar.

  • Tetro

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    Não sou crítico de cinema, mas não posso deixar de escrever meia dúzia de palavras sobre Tetro, o novo filme de Francis Copolla.

     

    Uma história contada a preto e branco com grande pendor autobiográfico da vida de Copolla. Bennie, jovem marinheiro, reencontra Tetro, o irmão mais velho, que decidira nunca mais ver a família. Mas Tetro já não é o irmão que Bennie conheceu, é agora um homem que carrega um passado que o atormenta.

     

    Uma história interessantíssima com Freud e o Complexo de Édipo sempre presentes, uma história onde Copolla faz a realização e parece fazer a sua própria catarse.

     

    Um belo argumento, uma bela fotografia, excelentes representações de Vincent Gallo (Tetro), de Maribel Verdú (a companheira de Tetro) e de Alden Ehrenreich (Bennie).

  • Veneno terrível

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    No país onde vivo ninguém gosta de pagar impostos. Nem governados nem governantes. Somos vítimas, a bem dizer, de um vírus de origem desconhecida, vírus que nos faz odiar tudo o que possa ter a ver com contribuições. É um venenozinho terrível, aparentemente sem cura, que atinge toda a população: empresários, trabalhadores por conta de outrem, políticos, reformados. 

    No país onde vivo somos exímios a exigir. Queremos melhor saúde, mais segurança, melhor educação, melhores estradas, água e energia de borla, se possível. Queremos tudo isto e muito mais! Pois se por essa Europa fora se vive melhor do que nós, porque não exigi-lo?

     

    Quem viu o programa televisivo sobre a Dinamarca – ontem, na SIC, no final da tarde – deu conta que numa boa parte dessa Europa, para a qual olhamos mas nem sempre vemos, as pessoas olham para os impostos de forma diferente. Ouvi muitas pessoas dizer que gostam de pagar impostos, ouvi dizer que lhes dá gozo contribuir para o bem comum, ouvi dizer, mais coisa menos coisa, que lesarmos o Estado é lesarmo-nos a nós mesmos.

     

    Haverá vacina que nos salve?

  • Não ter tempo

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    É irreversível, o fim do ano aproxima-se e eu começo a pensar no que fiz, no que deveria ter feito e não fiz, e no que quero fazer no ano que já parece querer bater à porta. Tem sido sempre assim!

     

    Em 2009, à semelhança de anos anteriores, usei muitas vezes a expressão «não vou, não tenho tempo». O «não ter tempo» quer dizer frequentemente uma série de coisas: quer dizer que estive menos vezes com a família, menos vezes com amigos, menos vezes em acontecimentos e locais onde era suposto estar... Claro que há sempre uma boa desculpa, os imperativos profissionais e pessoais servem quase sempre para esconder a nossa inércia.

     

    O mais difícil é fazer o contrário: deixar de lado as explicações fáceis e encontrar forma de estar com os outros. A vida raramente nos dá algo sem uma enorme trabalheira!

     

    Pensamentos para 2010: «Viver interessa mais que ter vivido», já o dizia mais coisa menos coisa Agostinho da Silva. Ou ainda este, do mesmo pensador: «Mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu, do que todos os acertos se eles foram meus e não seus.»


    Pensamento do mês: «Fazer do Natal um dia da família, com menos prendas e mais sentimento».


    Pensamento do dia: «É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que com a ponta da espada» - Shakespeare.

     

    Bom feriado!

  • A batota

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    Dizem que é o pai da pacificação belga, que é um negociador hábil e persistente, que gosta de literatura clássica. Falo de Herman Van Rompuy, o homem que vai assumir a Presidência da União Europeia. A comissária Cathy Ashton, por sua vez, vai dirigir a diplomacia europeia. Dois nomes absolutamente desconhecidos e que surgem com a clarificação do Tratado de Lisboa. Blair ficou pelo caminho, na sequência do entendimento de última hora das duas principais famílias políticas europeias.

     

    Como cidadão desta grande União pergunto: não deveríamos ser todos nós, europeus, a escolher as personalidades que vão dirigir os nossos destinos?

     

    Um outro acontecimento europeu, este desportivo, fez-me reflectir sobre os poderes e negociatas do futebol internacional. Tratou-se de um erro clamoroso – a bola foi escandalosamente dominada pela mão – que beneficia a França e a empurra para o Mundial de 2010. Numa palavra, venceu o futebol da farsa. A FIFA já disse, entretanto, que o jogo não será repetido, perante a indignação de muitos milhões de espectadores. Percebe-se agora melhor do que nunca por que razão a FIFA e a UEFA não permitem a utilização de meios tecnológicos de apoio ao árbitro.

     

    Não há como escondê-lo, a batota faz parte da política e do desporto. Ámen.

  • Natal 2009

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    Estamos a pouco mais de um mês do Natal. O tempo já começou a mudar, vê-se na aurora, vê-se no dia, vê-se nas tardes e nas noites. Corre uma frescura nova, as noites são agora mais curtas. Curtas são também as economias, não estivéssemos nós a viver uma das maiores crises de que há memória. Mas as ruas e os Centros Comerciais estão engalanados (e desde Outubro!), como que a dizer a cada um de nós: venham, venham, comprem.

     

    Lembro-me bem do tempo em que púnhamos o sapatinho na chaminé e ficávamos ansiosos à espera dos presentes do Pai Natal. Lembro-me de mal dormir e da algazarra que fazia ao chegar de manhãzinha à chaminé, ainda que as prendas se resumissem a um carrito e a uma peça de roupa para vestir, bem longe da bicicleta com que sonhara. Mas eram belos tempos, com a família a conversar à volta de uma mesa ampla, enquanto se comia o bacalhau, as batatas e as couves, numa primeira leva, e as rabanadas, as filhoses e os sonhos, logo a seguir.

     

    Confesso que gosto cada vez menos dos Natais modernos que a máquina consumista nos vem impondo. Começou o dilema, há um sem-número de prendas que é preciso comprar. Vou ao Top Ten dos livros e fico algo desapontado, dou uma vista de olhos à publicidade que colocam na minha caixa de correio e perco-me com tanta coisa. Coragem, penso, preciso de tempo e coragem para comprar presentes para todos.

     

    E de repente dou comigo a pensar: e se em vez de comprar prendas (para quem provavelmente já tem tantas), eu comprasse para quem as não tem? Ou ainda: e se em vez de comprar prendas, canalizasse esses meios para as Associações de Apoio e de Caridade?


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