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  • Gatos Gordos

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    Barack Obama faz hoje o seu primeiro discurso do Estado da União. Com a popularidade abaixo dos 50% ao fim de um ano de mandato, o discurso do presidente americano deve assentar, segundo os especialistas, em três temas candentes: no da legislação de controlo do sector financeiro – como não haverá memória desde os tempos de Franklin D. Roosevelt –, no relançamento do emprego e na reforma da saúde.

     

    Mas o que me leva a escrever este post foram os comentários de Obama contra a imoralidade dos prémios e bónus dos administradores do sistema financeiro e contra a falta de crédito bancário para a economia real. A certa altura chamou-lhes mesmo gatos gordos!

     

    Como apoiante entusiástico de Obama, só espero não vê-lo cair nas garras afiadas dos gatos que o olham de cima.

  • Cozido Político à Portuguesa

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    Uma amiga sugeriu-me que escrevesse um post sobre as negociações do governo com a oposição de modo a viabilizar as contas do Estado no Parlamento. Para me ajudar deixou-me o título: Cozido Político à Portuguesa. Para me facilitar o trabalho enviou-me por e-mail um parágrafo de uma crónica de Eça de Queiroz (As Farpas, 1871):

     

    O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os carácteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.

     

    Confesso que fiquei sem saber o que dizer: se um cozido à portuguesa –  feito numa panela grande com muitas carnes, muitos enchidos e muitos vegetais – é saboroso mas ao mesmo tempo indigesto, de um Cozido Político à Portuguesa ninguém sabe na verdade o que pode acontecer. Os Partidos falam em colaborar mas a lógica é de confronto. Ninguém o assume, mas há quem espere resultados antes e depois do jogo terminar.

     

    Prefiro por isso, minha amiga, o cozido à portuguesa: é mais pesado, está carregadinho de colesterol, é certo que a digestão vai ser lenta, arrisco mesmo a dizer que a tensão arterial vai trepar umas décimas. Perdoo o mal que me faz pelo bem que me sabe!

  • Hora de ajudar o Haiti

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    Uma tragédia caiu sobre o Haiti. Não vou descrever a situação, todos nós a conhecemos, quero apenas lembrar que milhares de pessoas feridas passaram a terceira noite esperando por ajuda e por alimentos.

     

    É fundamental ajudarmos o Haiti. Deixo-vos uma possibilidade, entre muitas outras:

     

    Ajude a Missão da AMI no Haiti
    Contribua para esta missão através do NIB: 0007 001 500 400 000 00672
    Multibanco: Entidade 20909 Referência 909 909 909 em Pagamento de Serviços

     

    O futuro do Haiti recomeça agora se todos ajudarmos.

     

    Até breve.

  • O fetiche do dinheiro

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    Há várias histórias sobre o aparecimento do dinheiro, desconhece-se, contudo, a verdadeira. Uma delas assegura que as primeiras moedas surgiram na Turquia, no século VII a.C., outra defende que foi na antiga Mesopotâmia (actual Iraque), mais ou menos pela mesma altura. Mas há quem faça humor dizendo que o criador do dinheiro era um homem feio, coxo e gordo, que só desta forma conseguiu arranjar uma mulher!

     

    Diz-se que a roda foi a maior invenção da história, mas eu acho que foi o dinheiro. Para o bem e para o mal. Ele é omnipotente, está presente em todo o lado, nada se faz sem a sua intervenção: é ele que promove o desenvolvimento, fazendo criar palácios, arranha-céus, TGVs ou viaturas supersónicas, é ele que interfere no bem-estar, na saúde, na educação, nas viagens que fazemos pelo mundo fora, é ele que cria os ricos e os que ficam ricos sem que ninguém perceba porquê, é ele que está na origem dos escravos dos cifrões – aqueles que têm dificuldade de tirar a carteira do bolso –, é ele o pai dos esbanjadores – os que gastam por eles e pelos outros –, é ele que congemina guerras, que inventa pragas, que semeia a fome, que transforma o mundo num barril de pólvora, que destrói a Terra enquanto envia satélites para conquistar o espaço, numa palavra, é ele o pai das emoções e do prazer, das terríveis angústias e neuroses.

     

    Dito isto, pergunto a mim mesmo o que faço a seguir: pôr o boletim para o Euromilhões desta semana, trabalhar até que os neurónios se gastem ou deitar tudo para trás das costas à espera que o malandro do dinheiro se compadeça de mim?

  • 2010, na terra dos contos de fadas

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    Se por um dia eu vivesse na terra dos contos de fadas, se por uma vez eu pudesse erguer os braços e desafiar o mundo, nesse mesmo dia impunha que se tirassem dos olhos dos meninos a guerra, a fome e o medo, para que pudessem voltar a ser crianças.

     

    Nesse mesmo dia, fazendo jus à maldade e à criança que existe em mim, levantava o machado para combater os homens e empresas que provocam desastres ambientais, mandava setas aos senhores da guerra e do poder, e a todos os pais e parentes dos ódios, das guerras, das misérias e da lama.

     

    Mas como não vivemos na terra dos contos de fadas, como não sou mágico nem bruxo, limito-me a desejar um bom 2010 para todos.

     

  • Berlusconi

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    Chama-se Massimo Tartaglia o homem que agrediu Sílvio Berlusconi com uma réplica em miniatura da catedral, e que lhe partiu dois dentes e a cana do nariz. Foi uma berlusconada terrível! O “espectáculo”, dentro do espectáculo que é o primeiro-ministro italiano, fez com que o vídeo fosse visto por milhões de pessoas e com que o agressor angariasse 85 mil seguidores no Face Book (e mais não teve porque a rede social já eliminou a página). A venda de réplicas em miniatura semelhante à que foi usada na agressão já bateu recordes de vendas nos últimos dias!

     

    Quem segue com alguma atenção a política italiana – que se resume em grande medida em fazer aprovar decretos para esvaziar o papel do Parlamento impedindo que Berlusconi seja condenado por actos de corrupção e escândalos de todas as matizes – percebe melhor o porquê dos acontecimentos.

     

    Se a moda das berlusconadas pega muita cana rachada vai surgir por esse mundo fora!


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