"Encostou o dedo ao gatilho e pensou no descanso que aquele homem iria ter assim que ele disparasse. O que era o ioga que o moribundo chegara a praticar, o que eram as outras técnicas de exercícios mentais ou físicos para libertação da mente, comparada com a morte, único meio capaz de garantir a tranquilidade eterna? Nada! Um, dois, três...
Foi então que começou a tremer, uma sensação estranha apoderou-se de si fazendo-o tiritar como se estivesse com febre. Tremia tanto que em poucos segundos lhe doíam a cabeça e o peito. Baixou a arma mas o simples gesto de a guardar assumiu contornos de uma extrema dificuldade. Nunca tal lhe acontecera. Por um momento teve a sensação que a penumbra da morte o procurava. Tiritava de tal forma que não conseguiu deixar de pensar, que daria tudo naquele momento para ser ele o morto-vivo à espera que o vivo-vivo, o despachasse com um simples tiro na cabeça.
Agarrou na mão do moribundo e por dois segundos teve a sensação que ele morrera. Mas não, Ricardo Pombo continuava vivo, muito provavelmente em coma. E se o enterrasse vivo? "